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A Árvore da Mentira, Frances Hardinge — Resenha

Escolha uma mentira em que as pessoas queiram acreditar.

Neste mês, o Elefante Voador recebeu os primeiros livros vindos da parceria com a Novo Século Editora ♥. Dentre eles, recebemos um exemplar de A Árvore da Mentira, de Frances Hardinge, que havíamos comentado neste link.

Assim que recebemos as informações sobre o lançamento de A Árvore da Mentira pela Novo Século, eu fiquei super hiper mega curiosa em ler o livro por diversos fatores: sempre ouvi elogios a Frances Hardinge e nunca havia lido nada da escritora até então; o fato do livro ter sido premiado com o Costa Book of Year 2016; e, principalmente, o tema da história que me pareceu muito interessante.

A minha curiosidade para ler A Árvore da Mentira foi tão grande, que deixei de lado o livro que estava lendo e comecei a leitura da obra no mesmo dia em que o recebi. E, assim que terminei, vim correndo escrever para vocês o que achei da história, como podem conferir na resenha logo abaixo 😉

3ff10444-8602-4ece-8e5c-57912d79261cSinopse: Na inóspita ilha inglesa de Vane, em pleno século XIX, os Sunderlys desembarcam, atraindo atenções e suspeitas. Quando o reverendo Erasmus, patriarca da família e proeminente estudioso de ciências naturais, é encontrado morto em circunstâncias obscuras, sua filha, a jovem e impetuosa Faith, está determinada a desvendar o mistério. Para isso, precisará de coragem não apenas para confrontar dolorosos segredos mas também para desafiar as implacáveis tradições da sociedade em que vive. Investigando os pertences do pai em busca de pistas, ela descobre uma planta estranha. Uma árvore que se alimenta de mentiras sussurradas e dá frutos que revelam verdades ocultas. Quando a espiral das sedutoras mentiras de Faith fica fora de controle, ela compreende que as verdades estilhaçam muito mais. Combinação de horror, romance policial e realismo fantástico, esta arrepiante história da premiada escritora britânica Frances Hardinge, autora de Canção do Cuco, promete arrebatá-lo do começo ao fim.

Capa comum: 304 páginas
Editora: Novo Século; Edição: 1ª (25 de março de 2016)
Idioma: Português
ISBN-10: 8542807952
ISBN-13: 978-8542807950
Dimensões do produto: 22,8 x 15,8 x 1,8 cm
Peso do produto: 599 g

Leia um capítulo disponibilizado pela Novo Século Editora clicando aqui.


Resenha

Meu caso de amor com este livro começou antes mesmo da leitura. A Novo Século teve todo o cuidado de enviar o livro dentro de um saco de juta, junto com marcadores, uma carta do Reverendo Erasmus Suderly (citando a descoberta da árvore) e, acredite se quiser, um envelope com uma semente(Que por sinal eu já plantei. Acompanhe o crescimento dela nas redes sociais do Elefante Voador)

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Como se não bastasse essa apresentação linda do livro, o projeto gráfico também me surpreendeu: desde a escolha das fontes utilizadas, a diagramação do livro que proporciona uma leitura confortável (e sem erros), as aberturas dos capítulos e a composição da capa (que é linda). Tudo é pensado meticulosamente mantendo a identidade do livro. (PS: trabalho com diagramação desde 2009).

Resumindo:
1) apaixonada pela aparência do livro;
2) com uma plantinha para cuidar;
3) com expectativas altíssimas em relação a história;
4) com 304 páginas de leitura pela frente.

Foi assim que comecei a minha experiência com A Árvore da Mentira.

Eu já tinha ouvido falar muito bem de Frances Hardinge. E, ainda sim, a autora me surpreendeu em uma escala inimaginável. Logo que comecei a ler, um ponto que me chamou a atenção em sua narrativa é que ela opta, em diversas situações, pelo uso de figuras de linguagem das mais criativas possíveis. Separei alguns exemplos que achei interessante ao longo da leitura:

As árvores tornaram-se intricados enfeites de papel envoltos em fumaça. As casas eram contornos sem traços, feito um edredom cinza.

Agora elas tombavam e sacudiam a pequena embarcação como grandes lobos em clima de brincadeira.

Uma jornada longa deixa a pessoa exausta, como um pincel arrastado por m pedaço amplo de tela.

Além dessa característica encantadora (e por vezes sombria), ela tem um jeito muito envolvente de contar a história. Em diversos momentos eu me sentia transportada diretamente para a cena descrita. Não foram raras as ocasiões que me peguei com o coração batendo acelerado, as mãos tremendo. Me senti tão imersa no universo de Frances que, mesmo quando eu estava fazendo outra coisa, me pegava pensando na história e inclusive sonhei com ela.

Isto porque a história tem um ritmo crescente que chega a ser desesperador. É tudo muito empolgante e misterioso ao mesmo tempo. Quanto mais você descobre a cerca dos mistérios envolvendo a Árvore da Mentira, mais você quer descobrir o desfecho da história. Deixar o próximo capitulo para o dia seguinte chega a ser frustrante.

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Enfim, acho que já deu para ter uma ideia de como é estilo da narrativa do livro, não? Agora, vou falar um pouco sobre a história e os personagens (sem spoilers, é claro)

A Árvore da Mentira gira em torno de Faith Suderly e sua família. Tudo começa quando eles desembarcam em Vane, uma pequena Ilha onde seu pai (o Reverendo Erasmus) foi convidado a participar de uma escavação científica. Faith percebe, porém que desde que chegaram a Vane, seu pai tem agido de modo estranho o que torna a mudança da família para a ilha, às pressas ainda, mais misteriosa.

Boatos alegando que a maior descoberta do Reverendo é uma fraude acabam chegando a Vane, deixando as pessoas ainda mais hostis e receosas com ele e sua família. Cada vez mais, Erasmus vivia recluso em sua biblioteca ou na torre que possuía em sua propriedade, proibindo a entrada de qualquer pessoa que não fosse ele neste local.

Em determinado momento, Faith se depara com o pai fora de si em um desses momentos em que ele pede para não ser incomodado. A menina não sabe se ele está doente ou até mesmo sob o efeito de drogas mas, promete a todo custo protegê-lo de quem quer que queira difamá-lo ou colocar fim a seus estudos.

Quando, algum tempo depois, o Reverendo Suderly aparece morto, Faith recolhe todos os documentos do pai que julga serem importantes e os esconde em seu quarto. É assim que ela se depara com as anotações acerca da Árvore da Mentira e resolve usá-la para descobrir o assassino do pai. O problema é que para gerar um fruto que promete uma verdade, a árvore precisa se alimentar de mentiras. Logo Faith se vê inventando mentiras e mais mentiras. E, mesmo quando elas que tem consequências graves, a garota continua. A partir daí são inúmeras situações de perigos reais, especulações, intrigas e segredos sombrios dispostos em uma história alucinante.

Não foi acidente. Nem suicídio. Foi assassinato.

Faith é uma personagem muito bem construída. É ela quem dá movimento a história. A narrativa em torno de Faith é muito detalhada. Conseguimos sentir o que a garota sente em relação a sua família, as suas frustrações e a urgência em descobrir respostas. Trata-se de uma garota muito observadora, curiosa, questionadora e, principalmente, que não desiste fácil de solucionar problemas que a estão perturbando. Ela sempre soube que a morte do pai não foi acidental. Nem suicídio como tentavam fazer parecer. Faith não poupou esforços para investigar pistas que a levassem até o assassino. Para a garota, os fins justificam os meios. Descobrir quem matou seu pai, com certeza era mais importante do que os conflitos que suas mentiras geraram.

Sou tudo que lhe resta, pai. Sou sua única chance de justiça e vingança. E preciso que me respostas.

Outro personagem que achei muito bem construído é o pai de Faith, o Reverendo Erasmus. Mesmo depois de sua morte, sua presença na história é muito forte. Seja pelos seus registros científicos, pelas suas motivações (que depois ficam claras para Faith), seus segredos. Eu só acho que a morte dele poderia ser uma surpresa para o leitor e não algo que fosse encontrado já na sinopse do livro, justamente por causa de todos os mistérios que o envolvem desde o primeiro capítulo.

Todos os outros personagens, que são apresentados ao logo da narrativa, têm sua importância dentro da história. Com características psicológicas muito individuais, tantos os membros da família Sunderly, quanto os habitantes de Vane, têm seu próprio mistério. Todos são suspeitos.

Faith ficou ali um longo tempo com os dedos sobre os ponteiros imóveis. Sentia-se como a assassina do tempo.

O final me surpreendeu. Nada é revelado fora de hora. A autora tem esse cuidado de que todos os segredos sejam revelados no momento certo. Eu imaginei diversas maneiras de como essa história poderia terminar e não passei nem perto. É emocionante, nada óbvio mas, ao mesmo tempo, te faz pensar que a história terminou da melhor maneira possível (se formos levar em conta os acontecimentos que levaram até ali).

Conclusão: A Árvore da Mentira não é parecido com nada que eu já tenha lido um dia. Prendeu minha atenção do início ao fim, atendeu com louvor as minhas expectativas e ainda fez com que eu me questionasse em diversos momentos: O que eu faria se tivesse a Árvore nas mãos? Qual seria a verdade que eu gostaria de descobrir? Até que ponto estaria disposta a mentir para obter um fruto da Árvore? O que eu estaria disposta a fazer para proteger este segredo? É de se pensar…

Uma árvore que podia contar segredos que ninguém mais possuía e descascar mistérios do mundo. Uma árvore que podia mostrar aos governantes os segredos de seus inimigos, aos cientistas os segredos das eras, aos jornalistas os vícios dos poderosos. Não era apenas cientificamente fascinante. Era muito valorosa. Poderosa. Inestimável.

Indico a leitura tanto para os amantes de literatura fantástica com um toque sombrio, como para os fãs de romances policiais, ou simplesmente para quem ADORA se envolver com uma boa história. #Ficaadica de um livro excepcional.

PS. Consigo imaginar perfeitamente esta história sendo adaptada para um filme pelas mãos do Tim Burton 😉

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Onde comprar?


Elefante pergunta: Até que ponto você mentiria para descobrir uma verdade?

 

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