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Canção do Cuco, Frances Hardinge — Resenha

A Novo Século parece saber exatamente o gênero literário que o Elefante Voador adora! A editora nos enviou um exemplar de Canção do Cuco, de Frances Hardinge, a mesma autora de A Árvore da Mentira e, é claro, devoramos a leitura. ♥ Confira, logo abaixo da sinopse, a resenha do livro:

9788542805192Sinopse: Você acorda após um acidente. Você sente uma fome constante e implacável. Você acorda durante a noite várias vezes, com folhas e terra em seus cabelos. Objetos inanimados tentam te atacar. Você atrai tesouras. Em seu pranto, no lugar de lágrimas, teias de aranha brotam como fios de desespero. Sua irmãzinha passa a ter um medo incontrolável de você… Assim tem sido a vida da jovem Triss Crescent. Aos poucos, ela descobrirá que o mal com o qual tem convivido é mais estranho e terrível do que ela jamais poderia imaginar. Tomada por dúvidas, ela parte numa jornada frenética em busca do Arquiteto, projetista de prédios, pontes e destinos sombrios. Acompanhe Triss nesta arrepiante fábula da premiada escritora britânica Frances Hardinge, que desponta como uma das mais incríveis contadoras de histórias de sua geração. Mas lembre-se: nada é o que parece. Até mesmo você.

Edição: 1
Formato: 16 x 23 cm
ISBN: 9788542805192
Acabamento: Brochura/Capa mole
Páginas: 320
Data de Publicação: 7/2015
Subtitulo: Não
Autor: Frances Hardinge

Leia um trecho disponibilizado pela Novo Século Editora clicando aqui.


Resenha

O mistério acerca da história começou assim que recebemos o livro: Canção do Cuco chegou dentro de uma linda caixa preta, acompanhado de marcadores e uns cartões com quotes do livro (bem sinistros por sinal).

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Confesso que estava com receio em relação ao livro porque sou super medrosa quando o assunto é histórias de suspense/terror. Porém, a leitura de A Árvore da Mentira me deixou deslumbrada e morrendo de vontade de ler outras obras de Frances Hardinge.

O livro é bem sombrio e perturbador. Logo no início, somos apresentados a Triss Crescent: uma garota de onze anos que ao acordar, após um acidente em um lago em uma viagem de férias, se depara com sintomas no mínimo incomuns. A princípio ela percebe que suas lembranças estão desfalcadas e que ela sente uma fome insaciável. Conforme a história vai se desenrolando Triss percebe também que tem alucinações onde objetos inanimados tentam atacá-la, além de acordar durante a noite com folhas secas nos cabelos e terra no corpo.

Aconteceu alguma coisa comigo no Grimmer. Tenho que ver. Tenho que lembrar.

[…]

Aconteceu algo de ruim aqui, algo que não podia ter acontecido nunca.
Mudei de ideia. Não quero mais me lembrar.

A todo o momento algo novo e completamente fora do normal acontece a Triss. Sua família começa a perceber as mudanças e tentam buscar auxílio médico. Triss está convencida de que, somente quando desvendar o mistério por trás do seu acidente, ela descobrirá como acabar com essa situação assustadora. É através de Pen, sua irmã mais nova que o mal com o qual tem convivido é maior do que a medicina poderia explicar.

O que tem de errado com as minhas mãos? O que tem de errado com a minha cabeça? Ela queria gritar alto. Mãe, me ajuda, por favor, me ajuda, tá tudo esquisito, tudo errado, e parece que a minha cabeça é feita de pedaços e alguns estão faltando…

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Pen também é uma personagem intrigante. Apesar de apenas 9 anos e do visível medo que passa a ter da irmã após o acidente, a garotinha é mais esperta do que pensamos. Suas ações são de grande importância em diversas passagens da história.

Ela mente. Ela rouba. Ela grita e atira coisas. E… ela me odeia. Odeia de verdade. Posso ver nos olhos dela. E não sei porquê.

Frances Hardinge é sempre muito cautelosa quanto aos mistérios de suas histórias. Nada é muito óbvio sem sua narrativa, nos permitindo descobrir cada coisa no momento certo. Além disso, o nível de detalhes é excepcional. De uma maneira que, não só te prende à leitura, mas, também, leva o leitor a vivenciar o que está sendo contado.

[…] Quando ela alisou os olhos, as lágrimas esticaram-se em longos fios pegajosos, em vez de simples água salgada.Ela fitou os brilhantes fios de cola, muito confusa,até que compreendeu do que se tratavam. Teia de aranha. Estava chorado teia de aranha!

Gosto muito do estilo de escrita de Frances. Ela tem um jeito único de usar figuras de linguagem, cuidadosamente escolhidas para deixar a história visualmente mais atrativa e também admiro muito o jeito de descrever e detalhas lugares, personagens e situações. Sua narrativa é arrebatadora!

A porcelana deslizou na sua língua feito sorvete. A almofada foi mais difícil, e por um momento alarmante ficou entalada na boca. […] Por um ou dois segundos deu para sentir as bolinhas geladas das cabeças dos alfinetes roçando lá dentro ao viajar goela abaixo. […]
Não é possível que eu tenha feito isso.

Trata-se de uma fábula minunciosamente elaborada. A cada virar de página, nós leitores nos deparamos com uma surpresa em relação ao que acontece com Triss. Cada novo capítulo é um novo desespero a ser vivido. É um daqueles livros que temos vontade de devorar e chegar ao final o quanto antes para descobrir o que realmente está acontecendo. Descobrir o quanto da história é real e quanto é alucinação da garota. 

Quem sabe eu não escutei direito. Vai ver eu imaginei a coisa toda. Talvez… talvez eu não esteja bem.

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Da metade para o final, o livro perde um pouco a característica de sombrio para dar lugar a uma fantasia incrível bem diferente do que eu estava esperando: cheia de aventuras, seres mágicos e planos mirabolantes. Cabe a primeira parte da obra ser mais assustadora, enquanto a segunda é bem mais dinâmica e lúdica. Isto, para mim, foi uma grande surpresa!

O intuito da criatura é atingir o emocional, mesmo quando sua máscara já caiu. Como um cuco tentando cantar.

O desfecho da história é muito bem estruturado, não deixa ponta soltas e surpreende. Eu ri, sofri, tive medo, me emocionei, me diverti… Tudo de uma vez só. Na minha opinião, a história não poderia acabar de melhor forma. Já estou pensando em reler!

Você não possui nada seu, disse o Grimmer. Tudo que possui, pegou emprestado, e quando tiver que devolver não vai sobrar mais nada. Até mesmo seu tempo foi emprestado, e está acabando. Um dia. Só mais um…

Assim como A Árvore da Mentira, o projeto gráfico é belíssimo. Diagramação impecável e capa muito bem acabada. Achei muito bacana a tipografia de abertura dos capítulos, que varia sutilmente durante o livro. A Novo Século mandou muito bem 😉

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Canção do Cuco é um livro diferente de qualquer um que eu já tenha lido, completamente original e criativo. Não só atendeu as minhas expectativas como me surpreendeu muito! Frances Hardinge está se tornando uma das minhas autoras preferidas. #FicaADica de um livro deliciosamente assustador.

Onde comprar?


Elefante pergunta: Você já leu Canção do Cuco? O Que achou da história?


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