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Arco de Virar Réu, Antonio Cestaro | Resenha

No começo de abril, a convite da Oasys Cultural, tivemos a oportunidade de ir ao lançamento do livro Arco de Virar Réu, do escritor Antonio Cestaro. Como disse nesse post, falei que teríamos a resenha do livro e aqui estamos. 🙂

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Confira o que achamos, após a sinopse! Aliás, prestem bem atenção na sinopse, para termos ideia do que vem na narrativa.

arco-de-virar-reu-capaSinopse: Narrativa labiríntica escrita em primeira pessoa, Arco de virar réu descreve os eventos que marcam a deterioração física e mental do narrador-protagonista. Historiador social com forte inclinação para o estudo antropológico, ele é obcecado pelos rituais e pelos costumes dos índios tupinambás. A história começa com o surgimento dos primeiros sintomas de esquizofrenia em seu irmão, nos anos 1970, segue pela adolescência, quando, inspirado em rituais indígenas, o narrador passa a se dedicar à ocultação de cadáveres, e termina com a dolorosa percepção da própria loucura. Digressões delirantes misturam-se a fragmentos de memória e a pesadelos que, aos poucos, colocam em dúvida a própria existência.


Resenha Arco de Virar Réu:

Pensei muito em como fazer a resenha de Arco de Virar Réu. O livro é curto, são 150 páginas, uma leitura densa, porém, de fácil compreensão, mesmo com frases mais elaboradas, palavras que não estamos acostumados, nada muito complexo para que tenhamos que ver o dicionário a toda hora, por exemplo. Fiquei indecisa de como contar a vocês… Então, decidi dividir por tópicos.

 

Impressões e Projeto gráfico.

Quando vi a capa do livro pela primeira vez e li a sinopse, logo me veio o livro Macunaíma (Mário de Andrade) em mente, pensei que poderia ter algo a ver com esse clássico da literatura brasileira. Associei os índios e a parte que da sinopse “inspirado em rituais indígenas” com o personagem. Mero engano, o livro tem um “quê” de Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis).

Antonio Cestaro é dono da Editora Tordesilhas, então, creio que os olhos de um editor sobre a diagramação do livro não passaram batidas! Tem uma ótima diagramação, com citações no início de cada parte (são 4 partes no total), e super simples em contraposição ao seu conteúdo mais complexo. Acho bem válida essa comparação.

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Narrativa

Como dito na sinopse, o livro é em primeira pessoa. Eu, Isis, tenho uma relação de “amor e ódio” com livros em primeira pessoa. Amor, pois acho interessantíssimo saber em detalhes a visão de determinado personagem; ódio, pois não sei como é o panorama geral sobre o que está acontecendo ao redor e como o que os outros personagens acham de quem está narrando a história.

 

Dá para imaginar o que é uma narrativa labiríntica? Nunca li livros que continham essa descrição, ou pelo menos não lembro de ter lido algo desse tipo. Quando adentramos o mundo de Arco de Virar Réu, fica bem claro, o que é esse “labirinto” todo que o personagem cria dentro do seu mundo e ao seu redor.

PS: Os dados não foram escolhidos ao acaso
PS: Os dados não foram escolhidos ao acaso
Linguagem Rebuscada e Conteúdo

O livro tem frases muito bem elaboradas e que te faz pensar se tudo o que o personagem está passando é real ou não, te deixa várias questões no ar. Mas no fim, tudo se resolve. Como disse na introdução da resenha, são termos rebuscados, Antonio Cestaro sabe como jogar e brincar com palavras. Por usar alguns termos mais complexos, não é uma leitura tranquila… Li o livro rápido, mas tive que dar uma pausa de uns dias, e reler o livro para escrever a resenha. E claro, quando se lê pela segunda vez, muitos detalhes começam a saltar durante a leitura.

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Imaginação

Já se imaginaram dentro de alguém com esquizofrenia? O personagem principal tem que lidar com a esquizofrenia do irmão desde cedo, e depois ele que acaba com as próprias perturbações… Cheguei até a me confundir se o irmão era o fruto da própria imaginação dele. Aliás, imaginação é o que não falta na narrativa, pois há também a parte dos rituais indígenas, contados de uma maneira não agradável, de uma parte mais carnificina que não vemos habitualmente quando estudamos história. Aliás, o narrador é um historiador.

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Será que consegui “resumir” bem o contexto todo? É um daqueles livros que te faz pensar, imaginar, voltar, parar, enfim… bem contextualizado!

Para quem gosta de literatura clássica, moderna e fantasia (sim, tem várias dessas características), super recomendo a leitura, vai te tirar um pouco da zona de conforto de tantos romances e trilogias que vemos a cada dia sendo lançados. Ao mesmo tempo, vai te lembrar das aulas de literatura da escola (num bom sentido, é claro)!

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