Elefante Conferiu

A lenda de Materyalis, Saymon Cesar — Resenha

Quem já leu O Despertar do Guardião, da Dáfne Freitas, sabe muito bem que o RPG pode ser a base para histórias fantásticas. Este também é o caso do primeiro volume de A Lenda de Materyalis: As crônicas de Aliank de Saymon Cesar. Confira:

menorNo princípio dos tempos, as sociedades de Hedoron acreditavam nos mandamentos dos servos de Materyalis, suposto deus criador do Universo e da vida. A lenda diz que a divindade se angustiou ao observar os atos corruptíveis das suas criaturas e atribuiu a si toda a culpa da imperfeição dos povos. Sua consciência atordoada separou sua essência em duas entidades, criadoras de ideologias extremistas que dividiram a crença das sociedades. Assim nasceu a materja, a guerra que visa a consolidação de uma verdade entre todas as raças. Avessa ao propósito da contenda milenar, surge uma sociedade secreta, que busca o único artefato capaz de desvendar o que realmente foi Materyalis e, assim, livrar os povos da dúvida que os condenou aos intermináveis confrontos. Mas, para chegar ao objetivo, é necessário usar a misteriosa aptidão de cinco indivíduos habitantes de Aliank, um reino dominado por contradições que podem apressar a ruína do mundo antes que a verdade sobre Materyalis seja revelada.

Edição: 1
Formato: 14×21
ISBN: 9788542808117
Acabamento: Brochura/Capa mole
Páginas: 240
Data de Publicação: 05/2016
Subtitulo: As crônicas de Aliank – Volume I
Autor: Saymon Cesar

Leia o primeiro capítulo clicando aqui.


Resenha

A primeira coisa que tenho a dizer a respeito de A lenda de Materyalis é que fiquei impressionada. Logo de início, percebe-se que se trata de uma fantasia riquíssima em detalhes e muito bem estruturada.

Confesso que demorei um pouco para me familiarizar com tantos nomes diferentes mas, ao mesmo tempo, o resultado é super positivo. Uma vez que essa preocupação do autor em classificar e denominar as ideologias, as raças, habilidades, torna tudo mais convincente.

Na história, o Reino de Aliank está vivendo um período de guerra ideológica (ou marteja) e vemos seus habitantes divididos basicamente em três crenças: o Teryonismo, o Marilismo e o Emylismo. Pensei em fazer uma breve descrição destas ideologias mas acredito que o bacana é o leitor conhecê-las conforme a história vai se revelando.

“Quem sabe assim possamos nos alegrar por já termos acabado com a marteja, e assim desfrutar de um mundo pacífico, ode irá imperar o respeito às diferenças inerentes a cada personalidade, sem o extremismo ideológico que hoje existe?”

Apesar de A Lenda de Materyalis se passar em um local e tempo muito distintos de nossa realidade, muitas coisas que lemos no conflito entre as ideologias se aplicam perfeitamente ao que vemos ao nosso redor. Saymon demonstra um conhecimento bem sólido sobre religiões e nos deixa ansiosos para conhecer o desfecho da história.

“Mas a incerteza sobre o que ele realmente era provocou a guerra ideológica entre as raças, que desconhece limites, destrói inúmeras vidas e já se estende por mais de três milênios.”

Gostei muito do estilo da narrativa, onde os acontecimentos são observados por Harcos. Ele acompanha, por meio de um cristal chamado sinkrorbe, profecias sobre o desenrolar da marteja e, ao mesmo tempo ele precisa usar dessas visões para identificar aliados em sua busca pela verdade.

“Todas as ideologias tentam impor verdades criadas com o descompromisso de buscar a sabedoria plena. Independentemente do conceito que tenhais sobre Materyalis, o importante é decifrarmos uma infinidade de questões. O que ele realmente era? Quais eram as motivações em criar a vida? Ele ainda nos influencia? De fato ele existiu? Tudo nasceu pelo acaso? […]”

A maneira que a história é contada nos permite “conhecer os fatos” junto com o personagem. Percebemos que guerra ideológica transcrita no livro é muito mais complexa do que simplesmente uma luta entre O BEM E O MAL.

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Saymon traz em seu livro desde elfos alados, espíritos, majurks (mestiços) e humanos com habilidades incríveis, de forma que é até difícil escolher um preferido. Achei os personagens muito bem desenvolvidos e com características de personalidade bem marcantes. Particularmente, gostei muito da elfa Liliel. Trata-se de uma personagem que tem uma postura muito justa no decorrer da história. É corajosa e obstinada. O humano Mothoriel, também é um dos meus favoritos.

“— Tem algo muito errado com o relato desta carta, meu mestre. Não entendo por que o rei deseja tanto nosso envolvimento em tal situação […] Não devemos desafiar o rei, ignorando a ordem da carta, mas temos como obrigação esclarecer o ocorrido de forma mais sensata, como deseja nosso deus. […]”

Fiquei muito curiosa para conhecer um pouco mais sobre Müdrik e seu seguidor Harcos, que são apresentados brevemente no início da história. Espero ver um pouco mais sobre eles no próximo volume (por favor).

Os diálogos ao longo da narrativa são bem interessantes e as descrições das cenas são muito bem detalhadas. Gostei muito da maneira que Saymon transcreve as cenas de ação: nós ficamos realmente tensos pelos personagens em diversos momentos da leitura.

“Os olhos vermelhos se dirigiam alternadamente de um denin a outro. As garras se chocavam contra o piso congelado e se ouvia o som de pequenos estilhaços de gelo sendo esmagados pelos passos do ser gigantesco. Carregava um braço na boca enquanto avançava. Seu faro assassino buscava o aroma daquelas duas novas vítimas em potencial. E, para o azar dos denins, ele gostou do que sentiu.”

No geral gostei bastante da leitura e posso dizer que o final me deixou bastante curiosa! Isso porque o livro termina num momento em que fica óbvio que ainda há muita coisa para acontecer… E que na verdade, a história está apenas começando.

“Descansarei por hora […] A busca peça verdade da lenda de Materyalis será longa e certamente trará muitas visões […]”

Fica a dica de uma leitura imperdível para os fãs de literatura fantástica, principalmente àqueles que adoram estudos sobre religiões. Super indico!


Elefante pergunta: Ficou curioso para conhecer A lenda de Materyalis?

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