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Grito, Godofredo de Oliveira Neto | Resenha

A Oasys Cultural, agência parceira do Elefante Voador, nos enviou um exemplar do livro Grito, de Godofredo de Oliveira Neto. Devido a minha “fila” de livros (e eventos) tive a oportunidade de lê-lo somente agora. Foi uma leitura bem rápida e se soubesse que seria tão rápido assim, teria pego-o antes. Confira a sinopse e depois a resenha:

GRITOConstruído de forma que a performance e a teatralidade ocupem um lugar central, Grito é o epílogo da octogenária Eugênia e sua relação com o jovem e ambicioso Fausto. Em 21 atos, a narrativa é marcada pelo embate entre as esferas do real e do imaginário. Godofredo de Oliveira Neto experimenta formatos e problematiza a linguagem, conduzindo a partir da perspectiva da ex-atriz de teatro uma trama que transita entre o mundo da criação e da encenação.

Godofredo de Oliveira Neto é autor, entre outras obras, de Amores exiladosMenino oculto (segundo lugar no Jabuti 2006), e Ana e a margem do rio. É graduado e mestre em Letras pela Universidade da Sorbonne (Paris III) e doutor em Letras pela UFRJ – onde leciona na graduação e na pós-graduação.

Capa comum: 160 páginas
Editora: Record; Edição: 1ª (1 de abril de 2016)
Idioma: Português
ISBN-10: 8501107018
ISBN-13: 978-8501107015
Dimensões do produto: 20,6 x 13 x 1,6 cm
Peso do produto: 322 g


Resenha Grito:

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Eugênia narra a história em primeira pessoa, contando como é viver num prédio no Rio de Janeiro, perto a uma avenida movimentada. É viúva, aposentada, mora sozinha em seu apartamento, e convive com um romance platônico.

O dono de seus suspiros é Fausto, o vizinho do trezentos e dezoito ~318~, um rapaz de 19 anos (quase vinte), que pretende ser ator e convida Eugênia para assistir suas esquetes (ensaios), assim, ajuda-o a ter ideias para contracenar e encenação. O rapaz é muito carinhoso com ela e chama-a de “irmãzinha”.

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Fausto é muito esforçado com a sua carreira de ator, tem várias ideias, várias divagações, mas quanto a trabalho, ele sempre está pulando de emprego a emprego. Infelizmente, para ser um grande ator, no Brasil, não é algo fácil e não se tem tanto investimento da nossa cultura; e isso é refletido no personagem.

— E, no entanto, a gente se vê obrigado pela sociedade a encontrar uma via profissional coerente e permanente — lamenta. — Quero ser tudo e todos ao mesmo tempo! E vou ser.

É a partir das apresentações de Fausto para Eugênia, que a trama se desenvolve. Cada vez mais a personagem quer saber sobre a vida de Fausto, e sente muito ciúmes quando ele conta de outras mulheres ou fica dias sem dar notícias; ela não expressa esse ciúmes, fica tudo em sua mente.

O nível de ciúmes de Eugênia é tão grande que ela procura nas redes sociais informações das pessoas e de Fausto (sim, ela mexe no Facebook com 82 anos). Ainda mais, é observadora (pra não dizer fofoqueira), do que se passa ao seu redor, olhando pela janela, vendo quem entra e sai do prédio, perguntando informações pro porteiro, por exemplo. Com isso, ela consegue obter vários fatos sobre o seu “amado”.

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Cada semana, a ex-atriz ajuda o rapaz a fazer suas cenas, e em meio a esses ensaios, ela relembra seus tempos de atriz, a família e tudo o que viveu de bom. Ao mesmo tempo, ela vai nutrindo o seu amor por Fausto, que existe só em sua cabeça.

E no fim da história… Me pegou muito de surpresa, foi um choque, um baque e um terror o que acontece em pouquíssimas páginas. Pois vivenciamos o desfecho desse romance platônico… A gente tem vontade de gritar, sacudir a personagem, e é de matar, literalmente!!!

Grito tem um formato diferente na escrita, há vários trechos compostos como se fossem roteiro de teatro, e casam super bem com o desenrolar da narração e as paranoias da protagonista.

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É um livro curto, tem 160 páginas e os 21 capítulos são divididos em atos. A diagramação é impecável, muito limpa e a leitura flui bem. Dá para ser lido tranquilamente em um dia, mas pelo seu desfecho, recomendo ler calmamente em dois dias.

Minha reação quanto ao fim da história:

Quarta-feira, metrô de São Paulo, 18 horas. 

MULHER COM LIVRO NA MÃO (pensamento):

— Será que termino o livro nessa ida para casa? Ainda estou no capítulo 15.

LEITURA DOS 20º E 21º ATOS:

— Grito! — em pensamento.

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Elefante pergunta: Qual livro fez você gritar no final?

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