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A espetacular e incrível vida de Douglas Adams, Jem Roberts | Resenha

Biografias costumam ser livros gigantes por natureza, e, finalmente, consegui finalizar a leitura da biografia de Douglas Adams, com (algumas) pausas para colocar outras resenhas aqui no Elefante Voador. A Espetacular e incrível vida de Douglas Adams e do Guia do Mochileiro das Galáxias, foi um livro enviado pela Editora Aleph (obrigada ♥), e me surpreendeu positivamente!

Achando que seria uma biografia corrida, estilo “data X, ele fez isso, em data Y, ele fez aquilo, e em Z ele foi promovido”, Jem Roberts nos pega de surpresa por contar a biografia do Mingo em linguagem estilo Guia do Mochileiro, com bastante humor, piadas, parênteses inesperados, vários trechos de roteiro e falas de Douglas Adams. Isso fez com que o linguajar da biografia ficasse bem descontraído.

A trajetória se dá desde antes de Douglas Adams nascer, comentando brevemente sobre sua família, a separação dos seus pais até a sua entrada na faculdade, mochilão que ele fez, dúvidas de qual carreira seguir e o sucesso do Guia do Mochileiro (além das dificuldades de escrever o mesmo).

O Guia do Mochileiro das Galáxias foi uma obra com várias vertentes. Nasceu como seriado de rádio, migrou para seriado de tv, depois para os livros, atravessando o oceano para ser traduzido para diversas línguas, virou filme… Foi parar no teatro e voltou para o rádio novamente! (Resumão da trajetória hein?!).

Mesmo com esse sucesso todo, na biografia é mostrado como o Mochileiro foi algo que Adams trabalhou sempre e desde que engatou, era lembrado disso o tempo todo. E mesmo com a fama (e dinheiro), ele nem gostava tanto assim, pois estava ficando saturado e pressionado. Demorou um bom tempo para ele admitir que gostava do Guia, que, aliás, é uma obra que conquista fãs até hoje pelas suas reviravoltas.

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Essa repulsa pelo Guia é mostrada pela pressão na entrega de roteiros e manuscritos. Eu achava que era procrastinadora, mas o Mingo me superou! hahahaha. Os prazos de entrega eram SEMPRE adiados, fazendo com que duas vezes Adams tivesse que ser literalmente “preso” num quarto de hotel para entregar o que fora pedido (atrasado, claro!). E olha que muitos papéis foram jogados fora, pois eram todos escritos em máquina de escrever, imagina o desperdício!!

(…) até que finalmente Sonny Mehta, diretor editorial da Pan, entrou contato com ele e implorou: “Nós lhe demos todas essas prorrogações e precisamos recebê-lo dentro de quatro semanas. Agora, até onde você chegou no livro?”. Já sabemos que a afirmação do escritor — “Eu não queria dizer a ele que eu não tinha começado; isso parecia injusto com o coração do pobre sujeito” — foi um exagero (…)

(Trecho que conta sobre a entrega de O Restaurante no Fim do Universo que deveria ficar pronto no outono de 1980).

Além da trilogia (de cinco livros) do Guia do Mochileiro das Galáxias, da qual ele não aguentava mais falar, na categoria “livros” há também mais duas publicações, uma delas é o romance do detetive “Dirty Gently” (com dois livros) e a outra é um livro sobre animais em extinção “Last Chance to See (Última Chance de Ver, em tradução literal), que também virou documentário e uma série de rádio.

Sobre “Last Chance to See” é uma história bem interessante, pois Douglas Adams viajou para alguns países para ver os animais em extinção ao vivo. Ele utilizou-se da sua fama para mostrar ao mundo que os animais precisavam ser salvos. Infelizmente, foi um livro que não vendeu muito, mas sua insistência e empenho eram tão grande para salvar os animais, que é citado no livro, que ele fez Bill Gates desembolsar um valor de seis dígitos para ajudar uma ONG de rinocerontes em extinção.

Aliás, Bill Gates é um dos muitos nomes conhecidos que aparecem em sua biografia. Adams teve amizade intensa com o pessoal do Monty Python (Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Jones), Neil Gaiman conheceu-o ainda novo, J.K. Rowling foi uma de suas referências, além disso, ele também conheceu vários artistas do meio musical. São tantas pessoas que até nos perdemos com tantos nomes conhecidos.

Quem leu o Mochileiro sabe que há algum mistério sobre o número 42. E adivinhem… Quantos anos Douglas tinha quando sua filha (Polly) nasceu? Isso mesmo, 42 anos! Achei essa coincidência (ou não) fenomenal!

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E agora, um detalhe triste, mas válido, ele faleceu no dia do meu aniversário, 11 de maio de 2001. Mesmo com o seu falecimento inesperado, Douglas Adams ainda construiu o seu legado, o filme do Mochileiro foi produzido postumamente, o seriado de rádio voltou ao ar em sua homenagem, além de uma peça de teatro e várias edições do Guia do Mochileiro. E todos esses produtos foram cuidados pela sua esposa e hoje em dia, é sua filha, Polly Adams, que detém os direitos autorais.

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Sobre a diagramação, muitos elogios e uma ressalva. É um livro denso sim e eu adorei lê-lo. São poucos capítulos citados no sumário, mas há várias divisões dentro dos capítulos. Até a parte quatro, é narrando sobre a vida dele até a sua morte, depois inicia a parte investigativa e recolhimento de dados de Jem Roberts para fazer a biografia. Há trechos inéditos de várias parte do Mochileiro que não foram para o manuscrito final, e também um apêndice, citações no texto e por último um índice de referências citando nome e página da qual a pessoa ou item foi citado.

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O que não gostei foi a parte das imagens coloridas, que ficou LITERALMENTE, no meio do livro e atrapalhou um pouco o seguimento da leitura, pois foi dividido em uma parte que o parágrafo continua, não havia um “ponto final”.

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Mesmo com a demora pela leitura, a sensação de ler essa biografia me fez ver que o legado de Douglas Adams ainda é um clássico que vale a pena ser lido para as pessoas pensarem sobre a Vida, o Universo e tudo mais… Poderia citar mais e mais histórias que há no livro, mas ai, deixo vocês na curiosidade!

Eu li o Guia do Mochileiro a 10 anos atrás (hahahaha)! E claro, deu saudades e uma vontade de reler tudo! Aliás, a percepção deve ser totalmente nova, não é mesmo?


Elefante pergunta: Você conhecia a trajetória de Douglas Adams?

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