Elefante Conferiu

Fangirl, Rainbow Rowell | Resenha

Hoje é sábado, dia de resenha! E, só porque adoramos Rainbow Rowell, vai ter mais uma resenha de Rainbow Rowell SIM! Desta vez, o Elefante Voador quis saber um pouco mais sobre o universo de Simon Snow (protagonista de Carry On), e mergulhou na leitura de Fangirl.

Qual a relação entre as duas histórias?

Carry On é o resultado final de uma fanfic escrita por Cath, super fã da saga de Simon Snow, ou seja, é uma história dentro da história. Ficou confuso(a)? Então leia a resenha para entender como tudo isso funciona 🙂

001Sinopse: Cath é fã da série de livros Simon Snow . Ok. Todo mundo é fã de Simon Snow, mas para Cath, ser fã é sua vida – e ela é realmente boa nisso. Vive lendo e relendo a série; está sempre antenada aos fóruns; escreve um fanfic de sucesso; e até se veste igual aos personagens na estreia de cada filme. Diferente de sua irmã gêmea, Wren, que ao crescer deixou o fandom de lado, Cath simplesmente não consegue se desapegar. Ela não quer isso. Em sua fanfiction, um verdadeiro refúgio, Cath sempre sabe exatamente o que dizer, e pode escrever um romance muito mais intenso do que qualquer coisa que já experimentou na vida real. Mas agora que as duas estão indo para a faculdade, e Wren diz que não a quer como companheira de quarto, Cath se vê sozinha e completamente fora de sua zona de zonforto. Uma nova realidade pode parecer assustadora para uma garota demasiadamente tímida. Mas ela terá de decidir se finalmente está preparada para abrir seu coração para novas pessoas e novas experiências. Será que Cath está pronta para começar a viver sua própria vida? Escrever suas próprias histórias?

Edição: 1
Formato: 16 x 23 cm
ISBN: 9788542803686
Acabamento: Brochura/Capa mole
Páginas: 424
Data de Publicação: 8/2014
Subtitulo: Não
Autor: Rainbow Rowell

Leia o primeiro capítulo disponibilizado pela Novo Século Editora clicando aqui.


Resenha

Fangirl, lançado pela Novo Século Editora em 2014, conta a história de Cather (Cath), uma garota de 18 anos que acaba de entrar na universidade. O que deveria ser uma experiência incrível para Cath, acaba sendo uma sequência infinita de desafios que ela precisa superar dia após dia: se adaptar com a mudança, se socializar, conviver com a nova colega de quarto (Cath passou a vida toda dividindo o quarto com a irmã gêmea Wren, mas quando foram para a faculdade, Wren preferiu cortar os laços com Cath e se dedicar conhecer pessoas novas).

— A gente tá na faculdade — disse Wren, exasperada, cobrindo o rosto com as mãos — Tem que ser uma aventura!
— Já tá sendo uma aventura. — Cath engatinhou até a irmã e tirou as mãos de Wren do rosto dela. — Só de pensar nisso, já acho aterrorizante.
— A ideia é conhecer gente nova — Wren repetiu.
— Não preciso de gente nova.
— Isso mostra exatamente que você precisa de gente nova…

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No início da história, acompanhamos todo esse desespero de Cath em estar “sozinha” em um novo ambiente, as pequenas e grandes dificuldades de adaptação e alguns leitores podem achar infantil e desnecessário da parte dela. Pode parecer que Cath está fazendo tempestade em um copo d’água mas, na verdade, existe um motivo para ela se comportar dessa maneira. Ao longo do livro percebemos a verdadeira razão pela qual a garota tem tanta aversão a se relacionar com pessoas e tem tanta dificuldade em sair de sua zona de conforto. Para ser bem honesta, essa foi a personagem de Rainbow com a qual eu mais me identifiquei até agora.

— Acho que não sirvo para isso. Menino-menina. Pessoa-pessoa. Não confio em ninguém. Ninguém mesmo. E quanto mais gosto de alguém, mais certeza tenho de que a pessoa vai se cansar de mim e pular fora.

Por falar em zona de conforto, Cath encontra refúgio de todo esse bombardeio de novidades em sua vida, em uma coisa que lhe é muito familiar: Simon Snow. Desde criança, Cath e Wren eram muito fãs da saga de livros (inclusive tinham posters colados na parede do quarto, camisetas e tudo mais). O sucesso das histórias de Simon dentro desse universo de Fangirl, é equivalente ao sucesso e influência de Harry Potter em nossa realidade, para vocês terem uma ideia.

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Acontece que, conforme Wren foi crescendo, ela deixou isso tudo para trás, já Cath continuou a escrever fanfics sobre Simon mesmo após ter entrado na faculdade. Escrever sobre Simon, sobre o mundo da magia, era exatamente o que a fazia se sentir bem.

— A ideia de escrever fanfiction — disse ela — é poder brincar com o universo de outra pessoa. Reescrever as regras. Ou alterá-las. A história não tem que terminar quando Gemma Leslie cansar dela. Você pode ficar nesse mundo, esse mundo que você ama, quanto quiser, contanto que pense em noas histórias.

A saga de Simon Snow é abordada superficialmente em Fangirl. Algumas passagens do “original” de Gemma Leslie são transcritas no livro, assim como, alguns textos de autoria de Cath. Neste ponto, Raibow Rowell se supera pois ela escreve uma história dentro de outra história!

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Eu gostei muito da leitura, porque eu já tinha lido Carry On (o resultado final dessa fanfic escrita por Cath), e parecia que eu estava acompanhando os bastidores disso. Foi legal inclusive ver o quanto as experiências de Cath vão influenciando sua obra.

— Eu amo Gemma T. Leslie, sempre vou amar. Sinto que ela representou uma força importante na minha infância. E sei que Magicath não existiria sem Gemma T. Leslie. Mas agora, acho que gosto mais da Magicath. Acho que é minha autora favorita. E ela nunca sem escreveu um livro…

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Com o desenrolar da história, acompanhamos principalmente o amadurecimento de Cath e a maneira que ela encontra de superar os traumas relacionados a confiança e abandono. Ela começa a se relacionar com as pessoas e, inclusive, a reparar nos garotos. Cath começa a viver um pouco fora de sua fanfic.

— Significa… que eu gosto muito de você. […] Tipo, gosto mesmo. E queria que aquele beijo tivesse sido o começo de alguma coisa. Não o fim.

Apesar de ter gostado muito da leitura e ter me identificado muito com a protagonista, Fangirl não é meu livro favorito da Raibow. Ele é bem mais parado do que os outros que li (apesar, é claro, do fato da autora criar diálogos sensacionais). Gostei do amadurecimento da personagem ao logo da história e achei o final bem colocado.

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Quem lê Carry On não precisa necessariamente ler Fangirl. Mas quem lê Fangirl com certeza ficará morrendo de vontade de conhecer mais sobre os personagens Simon e Baz, que a Cath tanto adora e, neste caso, a leitura de Carry On é indispensável!


Elefante pergunta: você já leu Fangirl? O que achou?

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