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Crave a marca, Veronica Roth | Resenha

Um dos livros mais aguardados de 2017 com certeza foi Crave a Marca, da autora Veronica Roth, que foi lançado mundialmente no dia 17 de janeiro ( a edição brasileira foi publicada pela Editora Rocco). O Elefante Voador recebeu um exemplar e, hoje, trazemos a resenha para vocês \o/

Num planeta onde a violência e a vingança reinam, numa galáxia onde alguns são afortunados e outros não, todos desenvolvem um dom-da-corrente, um poder único capaz de moldar o futuro. Enquanto a maioria das pessoas se beneficia do seu dom-da-corrente, Akos e Cyra não – seus dons os tornam vulneráveis ao controle de outros. Será que eles serão capazes de reaver seus destinos e suas vidas, e restabelecer o equilíbrio neste mundo?
Primeiro de uma série de fantasia e ficção científica, Crave a marca é o novo livro de Veronica Roth, autora do fenômeno Divergente, com mais de 32 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Numa narrativa cinematográfica, Veronica Roth narra a relação de dois jovens inimigos que fazem aliança para escapar da opressão que governa suas vidas. Política, democracia, tolerância, amizade e redenção estão entre os temas abordados pela escritora neste lançamento, que chega simultaneamente às livrarias de 33 países, em 17 de janeiro.
Cyra é a irmã de um tirano brutal que governa o povo Shotet. O dom-da-corrente que percorre o corpo da jovem lhe dá uma dor imensa, mas também um poder extraordinário – algo explorado pelo irmão, que a usa para torturar seus inimigos. No entanto, Cyra não é apenas uma arma nas mãos do irmão: ela é resiliente, ágil e mais esperta do que ele imagina.
Akos é da pacífica nação de Thuve e protegido por um dom-da-corrente incomum. Bondoso e extremamente fiel à família, quando ele e o irmão são sequestrados por soldados inimigos Shotet, Akos se desespera e decide fazer de tudo para resgatar o irmão com vida.
Agora, Akos se vê forçado a viver no mundo de Cyra, onde a inimizade entre seus países e suas famílias parece intransponível. Para salvar o irmão, ele encontra apenas uma saída: apostar nos poderes de Cyra. E ela, por sua vez, percebe que Akos é sua única chance de sobreviver à tirania familiar. Juntos, seus destinos podem decidir o futuro da galáxia. Mas será que confiarão um no outro? Ou acabarão se destruindo?
Crave a marca é um retrato deslumbrante de Veronica Roth sobre o poder da amizade – e do amor – numa galáxia repleta de dons surpreendentes.

Autor: Veronica Roth
Tradução: Petê Rissatti
Preço: R$ 39,50
480 pp. | 15,7×22,5 cm cm
ISBN: 978-85-7980-328-4
Assuntos: FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA, FANTASIA, FICÇÃO CIENTÍFICA/DISTOPIA

Leia um trecho disponibilizado pela Editora Rocco clicando aqui.


Resenha

Veronica Roth é uma das autoras mais queridas quando o assunto é distopia. A saga Divergente é um exemplo de como sua narrativa pode ser envolvente e marcante. Em Crave a Marca, mais uma vez nos deparamos com uma história bem construída, sem pontas soltas e, o melhor de tudo, que nos surpreende capítulo após capítulo.

“Não há lugar para a honra na sobrevivência.”

A narrativa alterna entre os dois protagonistas: Cyra Noavek, irmã do tirano Rizek, governante de Shotet e Akos Kereseth, um garoto de Thuvhe (planeta-nação inimiga dos Shotet). Akos e seu irmão Eijeh foram sequestrados a mando de Rizek, por causa de “profecias” envolvendo o futuro deles. Essas profecias são chamadas fortunas e apenas poucas pessoas são afortunadas. Elas sabem qual será seu destino e não há nada que possam fazer para impedi-lo.

A terceira criança da família Kereseth – leu Rysek em othyriano […] Morrerá a serviço da família Noavek.

Além das fortunas, todas as pessoas tem habilidades especiais, chamadas de dom-da-corrente, que são uma forma de manifestação da energia que rege o Universo. Essa energia, além das habilidades que dá as pessoas, pode ser usada em naves, máquinas, armas etc.

Em Cyra, a corrente se manifestou em forma de dor: ela sente dor o tempo todo e é capaz de transmitir dor a quem ela toca. Claro que seu irmão tira proveito disso e usa a garota como uma verdadeira arma de tortura. Já o dom-da-corrente Akos é ainda mais incomum e é por causa dele que Akos é obrigado a ficar ao lado de Cyra o tempo todo.

As veias escuras trouxeram a dor; a escuridão era a dor, e eu era feita daquela escuridão, eu era a própria dor. […] meu dom-da-corrente manifestou-se cedo demais.

Com o decorrer da história, o ódio natural que Akos e Cyra nutrem um pelo outro, acaba dando lugar a uma amizade muito além do que achavam possível, considerando a situação em que ambos viviam. Akos vê em Cyra a única forma de conseguir fugir e salvar Eijeh. Cyra, vê em Akos alguém que a enxerga além da dor que ela causa às pessoas.

— Você é uma Noavek – insistiu ele com teimosia, cruzando os braços – A brutalidade está em seu sangue.
—Eu não escolhi o sangue que corre em minhas veias[…]. Do mesmo jeito que você não escolheu seu dom, sua fortuna. Você e eu, nós nos tornamos o que era esperado de nós.

Paralelo a tudo isso, um grupo de pessoas insatisfeitas com o governo de Rizek, planeja uma maneira de tirar o tirano do poder e o caminho deles cruzará o de Cyra e Akos, prometendo uma história repleta de ação, estratégia e reviravoltas.

Agora que vocês já tem uma noção de como é a história da Crave a Marca, vou dizer o que achei da obra.

Valeu a pena esperar. Valeu muito a pena esperar após ter ficado órfã da saga Divergente para poder ler esta nova série de Veronica Roth. A qualidade da narrativa é altíssima, tanto em questão do ritmo da história, diálogos, quanto sobre como (e quando) a autora resolve ir esclarecendo pontos cruciais da história.

O começo é um pouco cansativo, mas é compreensível. Veronic Roth precisa nos apresentar a esse universo novo que ela criou: Os planetas, a corrente, a política, as intrigas… Da metade para o fim, a história toma um ritmo dinâmico e desesperador. Como leitora, me senti tensa até terminar a leitura e saber o desfecho da história.

Cyra tinha razão, provavelmente. De quantas temporadas ele participaria até morrer por sua família? Duas, três? Vinte? Em quantos mundos ele andaria?

O livro é muito bom, um dos melhores que já li no gênero. Os personagens estão muito bem construídos. A personalidade de todos eles foi muito bem trabalhada bem como suas forças e fraquezas. A forma como Veronica Roth retratou a amizade na obra é inspiradora. Afinal, a amizade prevaleceu sobre o preconceito, sobre a política e rivalidade, mesmo que isso colocasse Cyra e Akos em perigo constante.

Como eu poderia encarar Akos, agora sabendo que ajudei meu irmão a declarar guerra contra seu lar?

Também gostei muito da maneira como Akos resistiu em manter a pessoa bondosa que ele era, mesmo após ter sido sequestrado, treinado pelos Shotet para servi-los e colocado para viver entre seus inimigos. Para Akos, salvar seu irmão era mais importante do que vingança pessoal ou do que qualquer outra coisa.

Não conseguia imaginar nada mais horrível que aquilo, o Flagelo de Rizek voltando-se contra Akos Kereseth.

Não vejo a hora de ler o próximo volume e saber como tudo isso termina. Fiquei mais uma vez apaixonada pela criação de Veronica Roth ♥.

PS. O projeto gráfico é lindo, a Editora Rocco arrasou muito (amei as aberturas dos capítulos)!


Elefante pergunta: Você já leu Crave a Marca? O que achou da obra?

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