Elefante Conferiu, Elefante Recomenda

Melhores Amigas, Emily Gould | Resenha

Sabe aqueles livros que parecem ser lidos no momento certo? Foi isso que aconteceu comigo ao ler Melhores Amigas. Talvez pelos dilemas, talvez pela idade das personagens, ou talvez por me enxergar em várias características citadas.

Quando pedi o livro para a Editora Rocco, achei que fosse algo mais juvenil por causa da capa. Porém, fui enganada e o enredo me surpreendeu positivamente!

Enredo:

Após um mestrado mal sucedido, Bev está a procura de um emprego. O aluguel vai vencer, ela precisa comer e o financiamento estudantil do mestrado não irá se pagar sozinho. Em busca de “qualquer coisa”, ela começa a trabalhar temporariamente como recepcionista e organizadora de papeladas em uma corretora de imóveis.

Amy já fora uma blogueira “famosinha”, porém, pelos motivos errados, pois ela falava mal de pessoas na internet. Hoje, está frustrada com o próprio emprego de redatora e editora de um blog cujo os donos esbanjam dinheiro e não tem objetivos a longo prazo. Para complementar, ela está com problemas no aumento de aluguel (bairro se valorizando a cada dia) e no seu namoro morno.

Também somos apresentadas a Sally, uma mulher com 35 anos mais ou menos, casada com Jason e muito rica. Tão rica que seu trabalho é cuidar da casa e escrever um livro, na qual ela mais enrola do que escreve. Sua casa foi tão bem planejada para ser aquelas de comerciais e revistas, que quando ela viaja com o marido aos finais de semana, eles pagam a desconhecidos para que cuidem da casa e fiquem hospedados admirando sua beleza.

“(…) Se conseguisse evitar o Facebook e se concentrar, talvez pudesse progredir um pouco esta tarde. (…)” — trecho sobre a vida de escritora de Sally.

Bev e Amy são melhores amigas e vivem em Nova Iorque. Elas se conheceram quando trabalhavam numa mesma editora. No caso, Amy já estava lá a algum tempo, quando Bev começou, foi insistente para ter a amizade de Amy. Com o tempo elas foram se aproximando e as conversas excediam ao tempo do horário de trabalho.

Até então, tudo tranquilo e normal na vida das amigas. Chegam até a viajar juntas para a casa de Sally e Jason, encontrando-os rapidamente no fim da estadia.

Pelo resto do final de semana, não tinha de impressionar Amy ou ao menos parecer normal perto dela — Amy já sabia como ela realmente era.

Depois dessa viagem, as coisas começam a tomar outro rumo. Bev sai com um conhecido, eles jantam, se embriagam e dormem juntos. Sua situação financeira está tão ruim que ela decide não comprar pílula do dia seguinte. Passado duas semanas de enjoos constantes, ela se descobre grávida.

Do outro lado, Amy depara-se com um dilema em seu namoro. Sam candidata-se a uma vaga na Espanha onde ficará afastado por meses. Ela tem o aluguel aumentando e ele que mais mora lá do que em sua própria casa, não ajuda-a financeiramente. Ela decide questiona-lo quanto a planos de casarem, morarem juntos e ele foge do assunto dizendo que não tem “tempo para isso”.

“[Amy] — Por que não me contou logo?
[Bev] — Acho que porque ter essa conversa com você transforma isso oficialmente em algo que está de fato acontecendo.”

Com a gravidez de Bev, começa a corrida contra o tempo para decidir ter ou não o bebê. Por vir de uma criação religiosa, ela acreditara que Deus a puniria por fazer algo considerado errado. Mas, após um contato com o progenitor, ele põem em dúvida se o bebê é mesmo dele. Com isso, Bev vai até uma clínica para aborto (em Nova Iorque é permitido). Mas, passa mal, desmaia e desiste do procedimento. Ao voltar para casa, ela e Amy ficam pensando em outras possíveis “alternativas”.

Correndo contra o tempo, Bev precisa se decidir se irá ou não ter o bebê. Dessa forma, as amigas pensam em Sally e Jason para serem os possíveis pais adotivos, já que ambas estão praticamente zeradas financeiramente. Elas contatam o casal e passam um final de semana “despretensioso” na casa deles. Bev passa mal durante um almoço e conta a Sally sobre a gravidez.

Sally pretende ajudar Bev, mas de modo casual, como se fosse uma madrinha. Nesse meio tempo, Amy envolve-se com Jason e tudo começa a ficar esquisito na amizade de Bev e Amy.

De volta a vida rotineira de Nova Iorque, Amy se irrita com os chefes e pede demissão imediata. Ao chegar em casa depara-se com uma carta avisando sobre o seu despejo, já que demorou a renovar o aluguel. Ao contar tudo isso a Sam, ele dá “aquelas” pontadas sobre Amy ser descontrolada e depois conta que irá para a Espanha. Amy sente-se perdida e não sabe o que fazer.

Enquanto isso, Bev retorna ao consultório ginecológico e após uma consulta reencontra uma ex-professora de mestrado. Conta-lhe tudo o que se passa, a professora a indica para trabalhar em uma loja para ganhar bem e, com essa indicação, ela decide seguir a gravidez. Ao mesmo tempo, Amy está sendo despejada e vai morar em um sótão com seu gato.

Dessa forma, vamos vendo as vidas se invertendo, Bev vai conciliando a gravidez, o trabalho e juntando dinheiro, e Amy sem trabalho, sem namorado e sem economias para se sustentar.

A amizade entre elas vai cada dia esfriando, pois Amy sente-se “trocada” pelo bebê. Os caminhos se tornam distantes e elas deixam de se falar aos poucos. Com isso, o livro vai rumo às páginas finais.


Resenha Melhores Amigas:

Me identifiquei muito com o enredo e com as protagonistas por ter idade próxima a delas. Me senti egoísta igual a Amy, perdida e igualmente receosa com Bev quando ela se descobriu grávida. (A diferença é que eu fiquei grávida com 18 anos, e ela, 10 anos depois). Foi uma identificação atrás de outra em vários momentos.

As dúvidas, incertezas, as postagens das redes sociais, a atualidade que o livro trás… Nossa! Li em três dias, por conta dos meus horários, mas, se pegasse uma tarde ou final de semana, leria tudo tranquilamente. Mas acho que não seria assim, pois fiz questão de reler o livro para absorver ainda mais seu conteúdo. E então, demorei uns quinze dias pra finalizar.

Na primeira vez que li, senti uma certa nostalgia, amei muito o livro, me senti acolhida. Mas, na releitura, senti uma leve angústia e uns “tapas na cara”. Pois mesmo me identificando com as personagens, dessa vez fiquei com algumas pontadas de inveja das personagens e me perguntando “Que que eu to fazendo da minha vida?

Como a autora é feminista, isso traz ainda mais empoderamento na história! São duas protagonistas ótimas, bem desenvolvidas e que chamam atenção por suas diferenças. Cada qual com suas escolhas, a gente se envolve com as personagens de uma maneira única.

A amizade das protagonistas é tão interessante de se pensar, pois não é aquela que vem da infância ou dos tempos de escola. Elas se conheceram no trabalho e mesmo com tantas diferenças, tornaram-se amigas. E sim, sinto dizer, mas, é isso que acontece depois que nos tornamos adultos… Nem todas as amizades antigas continuam, e a gente passa a ter amizades de lugares diversos!

Minhas críticas quanto ao livro se referem ao seu desfecho. Achei o livro muito corrido no final, pulando alguns meses. Eu gostaria de ter acompanhado os acontecimentos mais de perto até o desfecho, ficou aquele gosto de “quero mais”. Por isso, fiquei decepcionada da forma como acabou. Ainda mais que o foco ficou mais em Amy do que em Bev. Eu queria mais detalhes do que Bev estava vivendo também!!!

Portanto, seria um livro fácil para ter continuação ou spin-off, por exemplo. Seria interessante ter outros pontos de vista, como o de Sally ou mais detalhes desse final. #fikdik

De qualquer forma, é um livro que eu recomendo fácil para quem está entre os 20 e 30 anos! Ainda mais com o tanto de referências a cultura pop e as vivências das redes sociais.

Mas, em vez de Backstreet’s Back ou As Long As You Love Me, o monólogo interno de Bev era sobre mulheres virtuosas e corações puros.

— Corta! Ok, dessa vez foi melhor, mas agora está um pouco monótono. Dá para ser mais “entusiasmada” sem ser “exagerada”? — Jonathan fez uma pausa — He-he, isso rimou. Desculpe, espere um segundo.
— Jonathan — disse Amy, finalmente perdendo a paciência. — Você está twittando isso?
Ele não tirou os olhos do iPhone.

“(…) mas, por alguma razão, não conseguia parar de rolar distraidamente a tela no Tumblr, curtindo fotografias de comida e animais. (…)”


Sinopse:

livro melhores amigasBem-sucedido romance de estreia de Emily Gould, Melhores amigas pinta um retrato honesto e bem-humorado da mulher na faixa dos 20 e tantos aos 30 e poucos anos hoje, com suas expectativas e seus questionamentos.

Segundo da coleção Geração Ha, o livro acompanha as trajetórias de Bev e Amy, amigas de longa data que chegaram aos 30, mas ainda não encontraram seu rumo na vida, entre escolhas pessoais e profissionais duvidosas.

Ao longo da trama, entre sushis, taças de vinho e cigarros ocasionais, elas dividem seus planos e suas incertezas uma com a outra. Mas a amizade é posta à prova quando o plano de Amy de morar com o namorado naufraga, ao mesmo tempo em que Bev engravida de um desconhecido. Juntas, elas terão que descobrir se a amizade é capaz de resistir à força do tempo e às reviravoltas da vida, nesta deliciosa crônica da vida da mulher moderna.


Elefante pergunta: Já conhecia a autora Emily Gould? O que acharam da trama de “Melhores Amigas”?

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