Elefante Recomenda

Agência de investigações holísticas Dirk Gently, Douglas Adams | Resenha

Hoje, 11 de maio de 2017, faz 16 anos que Douglas Adams faleceu. :'(

Mas, tristezas a parte, dia 11 de maio, também é meu aniversário! Yey! \o/

Sou fã de Douglas Adams por conta do Guia do Mochileiro das Galáxias, e, desde que li sua biografia, fiquei super curiosa em conhecer a outra saga do autor. Dirk Gently é um investigador foragido, que, inclusive, tem série na Netflix!

Ainda não tive a oportunidade de ver a série e nem tive vontade, para não atrapalhar a compreensão do livro. E, antes que pudesse pensar em comprar os livros, a minha curiosidade aumentou quando ganhei “A Longa e Sombria Hora do Chá da Alma”, o segundo livro da série, pelo instagram do blog Thunder Wave.

Como a vida é cheia de coincidências, tive a oportunidade de conhecer a Daniela, do Thunder Wave no evento do Drácula, no Escape Hotel.

Sem mais delongas, vamos a resenha!


Resenha Agência de investigações holísticas Dirk Gently:

O livro começa falando sobre o surgimento da Terra. Depois nos apresenta um Monge Eletrônico defeituoso. Monges Eletrônicos foram feitos para acreditar em algo que todos acreditam por você. No caso, como o processamento de dados desse defeituoso falhou, ele começou a acreditar em coisas aleatórias.

“Depois de uma semana caótica acreditando que guerra era paz, que o bem era o mal, que a lua era feita de gorgonzola e que Deus precisava que um monte de dinheiro fosse depositado em uma determinada conta, o Monge (…) pifou.” (Pág 9)

Por esse motivo, esse Monge Eletrônico defeituoso foi fadado a reclusão, ao invés de ter sua placa-mãe trocada.

Depois disso, somos apresentados a Reg, professor de Cronologia e tutor (conselheiro) de Richard (personagem principal da trama):

“(…) logo, tinha tempo de sobra para fazer, bem, para fazer sabe-se lá o quê.” (Pág 15)

Richard está envolto de familiaridades estranhas e complexas. Ele trabalha para Gordon, namora a sua irmã Suzan e tem de conviver com Suzan (a secretária de Gordon). Gordon é dono de uma revista e de uma empresa de tecnologia.

Diante dessas várias situações distintas, somos levados a mais um capítulo diferente: o assassinato de Gordon.

Ele estava na rodovia, dirigindo para seu chalé e é assassinado com um tiro a queima roupa por alguém desconhecido. Gordon tinha a estranha mania de deixar gravado seus pensamentos em secretárias eletrônicas, e no momento que foi assassinado, ele estava falando com Suzan (sua irmã). Na fita pode-se escutar o tiro e a tentativa de Gordon em sobreviver.

E Gordon, teoricamente, sobrevive! Sua alma sai do corpo e tenta contatar tanto Richard quanto Suzan, para que eles entendam o motivo de sua morte. Porém, sem sucesso, já que ninguém consegue vê-lo ou escutá-lo.

Nesse mesmo dia, Richard esquece de seu encontro com Suzan pois estava na faculdade conversando com Reg. Ao conseguir sair dessa conversa, ele também deixa um recado na secretária eletrônica. Porém, se arrepende e escala o prédio de Suzan, pelo lado de fora, para tentar tirar a fita gravada.

“— Está bem. Você tem uma égua no banheiro e eu vou, agora sim, tomar uma tacinha de vinho do Porto.” (Pág 65)

Richard está sendo observado por Dirk Gently e após a retirada da fita (que também continha o assassinato de Gordon), ele começa a surtar de leve. Com essa paranoia de estar sendo observado, Richard vai atrás de Dirk para saber o que ele deseja. Ao chegar em sua agência de investigações holísticas, descobre que Gordon fora assassinado e que ele poderia ser o principal suspeito.

Nada é por acaso nesse mundo, Dirk e Richard estudaram na mesma faculdade. E após esse encontro, Dirk começa a ver provas de que Richard estava longe no momento do assassinato de Gordon. Para tentar isso tudo, eles vão até a faculdade encontrar Reg e dai muita começa a desenrolar.

Isso foi só uma “pincelada” do que virá a acontecer. Ainda é incluído no enredo: tipos de alienígenas, almas que podem incorporar em humanos, hipnose, o ex-dono da revista que Gordon adquiriu, devaneios de Reg, viagens no tempo e assim vai!

Realmente, dá vontade de ler novamente para compreender tudo, rs.

Vale ressaltar que Dirk Gently tem uma personalidade ímpar e resolve os casos de maneira bem peculiar. Ele é uma pessoa instável, que não paga a sua funcionária bem, tenta se esconder de tudo e todos, mas está disposto a resolver os casos que lhe são contratados. Estranho, não é mesmo?

A narrativa inicial é bem esparsa, somos apresentados a vários fatos distintos. Aparentemente, eles não se conectam e de repente, tudo do mais inimaginável começa a acontecer. Adams tem um jeito único de juntar tudo, mas, prepare-se para muita ficção científica. Tenha a mente aberta para a imaginação!

Tudo flui naturalmente, causa estranheza, é um caos, mas, se você for fã de Adams, já achará isso normal. Se não for fã, só esperar que tudo fica bem (ou pelo menos se encaixa). Douglas Adams tem esse modo bem maluco de elucidar tudo e sua narrativa surpreende.

Lembrando que, por ser ficção científica, sabemos as conexões nunca serão lógicas, mas na história, fazem muito sentido.

E mais, logo logo terão que adaptar essa narrativa, pois as novas gerações nem terão conhecimento de vídeo cassetes, secretárias eletrônicas e alguns outros pontos!

Quanto a diagramação do livro, achei estranho o capítulo 1 começar “logo de cara” e alguns capítulos começarem no meio do texto. Fora isso, flui bem.

 

Citações interessantes:

Douglas Adams sempre trouxe várias críticas e desconstruções em suas narrativas. Por isso, separei algumas citações que foram me chamando mais a atenção:

“— O que eu quero dizer — prosseguiu Richard — é que, se você quiser mesmo entender alguma coisa, a melhor maneira de fazer isso é tentar explicá-la para alguém. Isso obriga a destrinchá-lá em sua cabeça. E, quanto mais perdi e tapado for seu aluno, mais você terá que fragmentá-la em ideias cada vez mais simples. Essa é, na verdade, a essência da programação computacional.” (Pág 23)

 

“Ele o detestava porque a ideia de que alguém fosse não só privilegiado, como também sentisse pena de si mesmo porque o mundo não entendia as agruras dos privilegiados, era-lhe profundamente odiosa.” (Pág 93)

Referência ao guia do mochileiro das galáxias:

“(…) — Você sempre carrega uma toalha?
— Você sempre vai nadar a tarde?” (Pág 156)

Teorias…

“O Portal era O Caminho.
Ótimo.
Letras maiúsculas são sempre a melhor maneira de lidar com as coisas para as quais você não tem uma boa resposta.” (Pág 36)

 

“(…) A expressão “até eu poderia ter pensado nisso” é muito popular e muito enganosa, pois o fato é que ninguém pensou, o que é também um fato muito significativo e revelador. (…)” (Pág 184)

Já soube que a série está bem diferente do livro, mas quero ler “A Longa e Sombria Hora do Chá da Alma” antes de assisti-la!

Aguardem que terá mais uma resenha de Adams por aqui!!


Elefante pergunta: Você já conferiu a série ou o livro do Dirk Gently?

Comente via FB ♥