Elefante Conferiu

Dezembros, Ana Sparz | Resenha

Há algum tempo, a Novo Século Editora nos enviou dois livros da autora Ana Sparz: Dezembros e Dez momentos. As duas obras fazem parte da série Outros caminhos, novos destinos. A julgar pelo número de páginas e pela sinopse, decidi começar por Dezembros sem saber ao certo se acertei ou não a ordem de leitura… E aproveitando que amanhã é comemorado o Dia das Mães, trazemos a resenha desse livro que tem tudo a ver com a ocasião ♥.

Conheça um pouco mais sobre a obra:

Após a perda da mãe, Cora – que já não tinha pai, parentes atenciosos, animais ou objetos para amar – é convidada para passar temporadas com a irmã, eficiente empregada de uma família rica. Inesperadamente, é muito bem tratada, levando-a a se empenhar para garantir novos resgates a cada dezembro. Todavia, a garota tinha o desafio de agradar a todos sem desagradar a enigmática Berenice, além de um objetivo arriscado: desvendar os segredos da sua família, guardados “a sete chaves” com antigas cartas, que sempre estiveram longe dos olhos de Cora e foram confiscadas pela irmã após a morte da mãe. Por que tanto empenho para impedir que lessem aquelas palavras? As descobertas envolvem traumas e crimes, enquanto Cora amadurece e assimila cada pista encontrada. Por outro lado, Sílvia reaviva a esperança de ser feliz ao saber da existência de uma “flor de lótus”. Por que alguém mereceria ser comparada à flor tão especial? Dezembros cativa e surpreende com o poderoso vínculo entre Cora e Silvia, que luta para desvendar e assimilar o inesperado suicídio do marido e o misterioso desaparecimento de seus filhos: Adolfo, Benito e Franco. Tem enredo envolvente e reviravoltas surpreendentes.
Edição: 1
Formato: 16 x 23 cm
ISBN: 978-85-428-0896-4
Acabamento: Brochura/Capa mole
Páginas: 240
Data de Publicação: 08/2016
Subtitulo: Não
Autor: Ana Sparz

Leia o primeiro capítulo clicando aqui.


Resenha

Em Dezembros a história de Cora, uma menina de 12 anos que mora os tios desde a morte de sua mãe. Infelizmente, o ambiente onde vive não é dos melhores. Cora é sempre mal tradada pelas primas e não tem afeto da família.

Seus momentos mais felizes são quando, em dezembro, ela pode passar uns dias na casa onde sua irmã Berenice trabalha como empregada doméstica. Lá, ela é muito bem tratada pelos donos da casa e toda sua família, além de ter momentos divertidos e inclusive um paquera. É claro que com isso, Cora passa o ano todo contando os dias para seus tão aguardados dezembros.

Quando amamos algo, sentimos um misto de ansiedade e felicidade desde o momento em que vislumbramos a possibilidade da presença de algo ou alguém querido, até quando se efetiva o encontro.
Como o que eu mais amava era o mês de dezembro, desde novembro já ficava alterada, mais alegre e entusiasmada. Eu achava muito triste amar tanto um mês. […]

Enquanto Cora passa esses dias na casa dos Campos Lopes, patrões de Berenice, ela tenta desvendar segredos que a irmã mais velha pode estar escondendo sobre seu próprio passado e o passado de sua família. Afinal, assim que a mãe delas faleceu, Berenice confiscou cartas que trocava com a mãe e as escondeu “a sete chaves”. O que poderia conter nessas cartas que Berenice precisava esconder de Cora com tanto afinco?

Naqueles dias, eu queria tirar da memória a minha triste vida em Duas Fontes, mas não podia fazê-lo completamente. […] Havia mistérios envolvendo minha família. Eu precisava desvendá-los.

[…] desde pequena, ouvia palavras sussurradas que não deviam ser do meu conhecimento.

Paralelo a isso também acompanhamos a história de Silvia, mãe de três filhos que estão desaparecidos. A cada mês que se passa, ela perde a esperanças de ter os filhos de volta começando a acreditar que eles possam estar mortos. Qual será o vínculo que une essas duas personagens cheias de sofrimentos e enigmas ao longo da vida?

Dezembros é um livro bem interessante, principalmente para pessoas que gostam de acompanhar dramas familiares repletos de mistérios a serem solucionados. A cada nova descoberta, damos de cara com traumas e crimes que não imaginávamos que poderiam ter acontecido.

Eu tinha caído numa armadilha. Não entendi que é inútil permitir às mágoas do passado prejudicar o presente e comprometer o futuro.

Cora é uma personagem que sonha alto e nutre a esperança de sair da situação ruim em que se encontra. É triste ver que ela passa o ano todo ao meio do descaso esperando por uma fuga que só vem em dezembro. Gostei bastante da construção dos personagens e da participação de cada um na vida de Cora.

Impossível estimar quantas pessoas são realmente fruto do amor entre seu pai e sua mãe, mas a ideia parece fazer parte do inconsciente coletivo, como se isso tornasse o filho mais amoroso ou mais digno de amor.

Conforme a narrativa avança, nós como leitores, criamos várias teorias a respeito do passado misterioso da menina e o que sua irmã Berenice precisa tanto esconder. Pelo que pude perceber, o livro Dez Momentos tem uma personagem em comum mas não é uma sequência. Ou seja, você pode ler apenas um ou outro, ou ambos e isso não vai influenciar o entendimento das histórias.

Eu não conhecia Ana Sparz e achei sua narrativa bem sutil. Ela criou uma rede de mistérios mas não deixa para entregar tudo no final. Pelo contrário, ao longo da história ela já vai revelando respostar e vamos juntando peça por peça até descobrir realmente o que se passa.

Este tipo de romance não é necessariamente meu gênero literário preferido. Mas no geral eu gostei do bastante do livro. Achei que tem umas passagens muito bonitas ao decorrer da narrativa e o final é bem emocionante e comovente.

Aquelas árvores, suas flores e aqueles sons celestiais nunca me deixariam esquecer o quanto eu fui amada.

Para ser honesta, a parte final foi a que mais me agradou em todo o livro. Quando os laços vão se fechando. Não é nenhuma surpresa, pois como eu disse, mas é proposital já que a autora vai entregando respostas ao decorrer da narrativa.


Elefante pergunta: Você já conhecia a obra “Dezembro” de Ana Sparz?

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