Winter is here e o Elefante pergunta: O que combina com o inverno? Cobertor? Chocolate quente? Meias quentinhas? Sim! Tudo isso combina com esse tempinho gelado, mas vocês devem concordar um bom livro nos dias frios do inverno também são indispensáveis não é?

E falando em bom livro, friozinho e tudo mais… Vamos ver quais são os lançamentos da Editora Rocco para o mês de julho?

Rocco

O design da sua vida – Como criar uma vida boa e feliz
Bill Burnett e Dave Evans

Passamos a vida toda em busca da felicidade. E essa busca é norteada por crenças largamente difundidas e estimuladas, entre elas, a de que seremos felizes se formos bem-sucedidos, a de que nossa formação universitária determinará nossas carreiras – nos Estados Unidos, por exemplo, dois terços dos formados não atuam na área em que se graduaram – para todo o sempre, que seremos realizados ao fazer somente aquilo que nos desperta paixão ou a de que quase sempre é tarde demais para mudar o rumo de nossas vidas. Seguir uma trilha única e predeterminada por esses mitos, no entanto, tem levado a maioria das pessoas a um grau insuportável de frustração, gerando conflitos e doenças. Alguma coisa está errada na vida que desenhamos para nós e é preciso rever todos os conceitos e calibrarmos nossa bússola na direção de uma vida que seja realmente plena.

Foi pensando em ajudar as pessoas a levar suas vidas de forma mais satisfatória que os empresários do Vale do Silício e professores da Universidade de Stanford Bill Burnett e Dave Evans se impuseram o desafio de aplicar seus conhecimentos em design para reelaborar e redesenhar não objetos ou produtos, mas vidas. O Design de Vida virou disciplina na universidade e, agora, livro. O design da sua vida – Como criar uma vida boa e feliz, lançamento da Rocco, está na lista de mais vendidos do New York Times e o motivo é simples: usando princípios de design, desde brainstorming até criação de protótipos, a dupla de autores, que é referência em design thinking, propõe ao leitor, por meio de exercícios acessíveis e reflexões, técnicas que vão ajudá-lo a reconsiderar e depois reformular sua vida.

Designers adoram um problema. E não sem motivo: foi a partir de problemas que precisavam ser solucionados que a humanidade alcançou grandes descobertas. Afinal, alguém duvida que a cadeira possa ter sido inventada porque sentar-se em uma pedra dura causava dor no traseiro e na coluna? Ou que a canalização de água e o isolamento térmico tornou possível viver em uma casa? Burnett e Evans entenderam que o princípio primeiro do design é, mais do que criar produtos e equipamentos, criar soluções para tornar melhor a vida das pessoas. Pensando assim, o livro é construído com base nas cinco habilidades de um bom designer: curiosidade para explorar, tentar e identificar oportunidades; propensão para a ação – a proatividade; reformulação, que é a capacidade de aprender por tentativa e erro e entender que o fracasso também faz parte da caminhada; consciência do processo – o que importa é a jornada e não a meta final; e a colaboração radical, ao entendermos que muitas vezes precisamos de ajuda de outras pessoas para alcançarmos nossos objetivos.

Por meio de perguntas objetivas e exercícios, os autores orientam o leitor em sua busca por uma vida mais saudável, sendo o primeiro passo a libertação do que eles chamam de crenças disfuncionais, os mitos largamente difundidos que nos prendem a uma existência insatisfatória. A paixão, por exemplo, não é a causa mas o resultado de um bom projeto de vida. Depois, aprenderemos a identificar o problema antes de resolvê-lo. Muitos se enganam tentando resolver o problema errado. Ao longo da leitura, será possível também identificar, por exemplo, se estamos no caminho certo da jornada; será que estamos vivendo uma vida coerente, na qual nossos valores convergem com o que efetivamente fazemos? Felicidade, acima de tudo, está em viver uma vida que faz sentido para você. E sua vida, faz sentido?

Autor: Bill Burnett E Dave Evans
Tradução: Juliana Saad
Preço: R$ 49,50
304 pp. | 14×18 cm
ISBN: 978-85-325-3070-7
Assuntosdesign thinking, criatividade, liderança/desenvolvimento pessoal
Selo: Rocco


Os saqueadores
Tom Cooper

Ambientado numa cidadezinha da Louisiana às margens do Golfo do México e reunindo um elenco peculiar de personagens, o romance de estreia de Tom Cooper ganhou elogios de veículos como Esquire e Kirkus Review e de nomes como Stephen King e Nic Pizzolatto, criador da série True Detective, ao retratar a improvável jornada de um pescador de camarões obcecado por encontrar um tesouro perdido, após um desastre ecológico provocado por uma grande corporação obrigar os habitantes da região a encontrar novos meios de sobrevivência. Como um Dom Quixote moderno, viciado em comprimidos e a bordo de seu barco remendado, Gus Lindquist conhece uma série de personagens improváveis em sua odisseia pelos pântanos poluídos, cada qual travando suas próprias batalhas, mais ou menos nobres, para sobreviver em meio à lama e ao caos dos novos tempos.

Com a explosão da plataforma Deepwater Horizon, da companhia de petróleo BP, e a mancha de óleo que rumou do Golfo do México para a Lousiana, os moradores da cidade de Jeannette, que até então viviam da pesca de camarão, veem sua fonte de renda desaparecer e o desespero começar a apresentar alternativas perigosas. Neste contexto é que Gus Lindquist cruza o caminho das figuras mais sombrias nos piores momentos possíveis. Gêmeos que levam carregamentos de maconha, inadaptados como os estranhos Cosgrove e Hanson, que se ligam por um delito casual, e o emissário Brady Grimes, que negocia os nada vantajosos acordos da empresa petrolífera. O destino de cada um deles caminha para um choque inevitável.

O livro é um suspense regional com cores fortes e humor mordaz, uma viagem com o cheiro e o gosto da desesperança, cheia dos pequenos problemas cotidianos de quem foi obrigado a conviver com tão profundas tragédias ambientais – pelo vazamento de petróleo e pela devastação do furacão Katrina. Com ritmo intenso e histórias paralelas que desafiam o leitor, Os saqueadores surpreende pelo retrato de personagens assustadoramente reais, anti-heróis que enfrentam dívidas, alcoolismo, abandono e morte como qualquer pessoa sem opção. Irônico, soturno e cativante, o livro de estreia de Tom Cooper é também um sopro de ar fresco na literatura policial contemporânea.

Autor: Tom Cooper
Tradução: Alexandre Martins
Preço: R$ 44,50
352 pp. | 14×21 cm
ISBN: 978-85-325-3063-9
Assuntosficção – romance/novela
Selo: Rocco


Terças à noite em 1980
Molly Prentiss

Frenético e eletrizante. Dois adjetivos que descrevem tão bem Nova York e Terças à noite em 1980, estreia da norte-americana Molly Prentiss classificada pela crítica especializada como “exuberante” (Kirkus Review), “delicioso” (The Guardian) e “viciante desde o início” (Financial Times).

3, 2, 1… Happy New Year! Já é 1980 na Big Apple. Mais: é terça-feira. “Sempre achei as terças tão charmosas, não é?”, comenta com uma amiga a badalada galerista Winona George, em sua mais que badalada festa de Réveillon. Em meio a tagarelices sobre arte, Winona distribui gotas de sabedoria para seus convidados. “Façam o contrário! Contra a maré! Façam as coisas da forma errada!”, sugere para James Bennett e Marge Hollister, dois dos protagonistas dessa história que terão suas vidas para sempre transformadas por 1980.

Juntos, James e Marge dividiram muito feijão em lata e ovos fritos, enfrentaram o surreal e intimidante início da vida adulta, conquistaram seu espaço: ela como diretora de arte numa agência de publicidade; ele, após muitos nãos, como crítico de arte do New York Times. Com suas resenhas sinestésicas, cheias de descrições de sensações nonsense, Bennett está mudando a natureza da crítica de arte. Agora esperam seu primeiro filho.

Também na festa, de penetra, está o jovem artista Raul Engales. Órfão de pai e mãe, o argentino fugiu para Nova York deixando para trás a irmã e uma Buenos Aires de nãos, uma cidade de perdas, onde é proibido pensar, ainda mais em voz alta (“se pensar demais, pode muito bem nunca mais pensar”). Tem as mulheres aos seus pés e foi a chave roubada de uma de suas conquistas que garantiu seu acesso ao estúdio de artes da NYU, com suas telas, latas de tinta, estiletes, um paraíso para quem passou a adolescência fazendo arte em papel de pão. Divide com outros artistas, em sua maioria ainda anônimos e muito pobres, uma fábrica de cereais transformada em ocupação no Soho onde todo dia é dia de festa, de arromba ou não. Agora se coça por algo novo, algo revelador. Mas um terrível acidente pode por fim a sua carreira.

Engales é o objeto de desejo da sonhadora Lucy Marie Olliason, 21 anos, que chegou em Nova York há apenas cinco meses, seguindo dois sinais do destino: um livro com fotos de pinturas e esculturas e um cartão-postal com uma vista aérea de Nova York encontrado no chão com a mensagem “Te vejo logo, moçoila”. Não tinha ideia do que fazer na cidade; só sabia que estava indo. Logo se descobriu tonta, aterrorizada, encantada, diante dos milhões de braços e luzes. Encontrou um emprego de garçonete em um bar na Bleecker Street, onde se envolveu com uma série de homens que a adoravam e depois se desfaziam dela, até conhecer Raul Engales no primeiro dia do novo ano.

O destino faz a sua parte e as vidas desses personagens se convergem, com os principais acontecimentos sempre às terças de 1980. O que será de James, Marge, Raul e Lucy este ano? Como transformarão e serão transformados pela cidade que nunca dorme?

Em Terças à noite em 1980, Prentiss, que tal como Lucy desembarcou em Nova York aos vinte e poucos anos, escreve uma carta de amor à cidade que transformou sua vida e a de tantas outras pessoas, artistas ou não. O leitor pode não ter o poder sinestésico de Bennett, mas vai encontrar nas descrições detalhadas da autora, no mínimo, uma ideia bastante aproximada das cores, sons, sensações evocadas por uma Nova York em plena ebulição onde até mesmo a sujeira e decadência eram exuberantes. Uma cidade cheia da adrenalina, possibilidades, apaixonante, como Terças à noite em 1980.

Autor: Molly Prentiss
Tradução: Santiago Nazarian
Preço: R$ 49,50
320 pp. | 16×23 cm
ISBN: 978-85-325-3071-4
Assuntosficção – romance/novela
Selo: Rocco


Fábrica231

Um diário para Melissa
Teresa Driscoll

Como você reagiria diante da mensagem de um ente querido que partiu há mais de uma década? Em Um diário para Melissa, livro de estreia da jornalista Teresa Driscoll, a autora usa a sensibilidade para contar uma história delicada e saborosa: ao completar 25 anos, Melissa Dance recebe das mãos de um advogado um livro de receitas escrito pela mãe, morta quando ela ainda era criança. Passado o choque inicial, a jovem tem a chance de recuperar memórias da infância e receber conselhos maternos. Mas abrir a porta para o passado também traz segredos que podem ameaçar o presente.

Aos 8 anos de idade, Melissa Dance perdeu a mãe, Eleanor, vítima de um câncer de mama diagnosticado tarde demais. Criada pelo pai, a menina nunca teve a chance de se despedir. Por escolha de Eleanor, a única pessoa da casa que sabia da gravidade da doença era o marido. Depois de adulta, Melissa achava que o impacto da perda havia sido superado, até completar 25 anos e receber a herança que a mãe preparou cuidadosamente em suas últimas semanas de vida – um livro de receitas, recheado de fotos, histórias e conselhos.

Ao reconhecer a letra materna na capa do livro, um turbilhão de emoções toma conta de Melissa. Curiosidade e raiva se misturam com a saudade, mexendo com a jovem a tal ponto que ela decide, a princípio, manter em segredo o presente que recebeu, sem energia para ler muitas páginas de uma vez. Aos poucos, Melissa cria coragem para navegar por memórias há muito esquecidas e, de quebra, vai conhecendo melhor a mãe, que lhe pede desculpas e faz questão de explicar por que manteve em segredo tanto a doença quanto o livro.

Mas o presente póstumo de Eleanor não é a única preocupação de Melissa. Ela precisa decidir se aceita ou não uma oferta de emprego, além de lidar com uma questão delicada dentro de casa: o clima tenso após não ter aceitado de imediato o pedido de casamento feito pelo namorado, Sam. Embora os dois já morem juntos e ela o ame, a ideia de um anel de noivado e uma cerimônia oficial a deixam muito desconfortável.

Entre uma receita e outra, Eleanor dá conselhos de mulher para mulher, mas também faz confissões. Ao descobrir que algumas páginas coladas não estão assim por acidente, Melissa precisa tomar uma decisão. Valerá a pena desvendar certos segredos? Embarque nessa jornada cujo principal ingrediente é o amor e descubra.

Autor: Teresa Driscoll
Tradução: Ana Rodrigues
Preço: R$ 44,50
320 pp. | 14×21 cm
ISBN: 978-85-9517-016-2
Assuntosficção – romance/novela
Selo: Fábrica231


O bracelete misterioso de Arthur Pepper
Phaedra Patrick

Arthur Pepper ouve a batida na porta, cola o corpo contra a parede e finge ser uma estátua. Não sente a menor vontade de conversar com a vizinha Bernadette Patterson que vem lhe trazer mais um folheto sobre alguma atividade que o ajude a superar a perda de Miriam. A esposa morreu há quase um ano, mas Arthur ainda mantém a rotina de sempre. Mas aquele dia será diferente: ele deixará as atividades regulares de lado, para se dedicar a algo que vinha evitando há meses: doar os pertences de Miriam para alguma instituição de caridade. Ele não imagina que sua vida está prestes a mudar.

Arthur enche os sacos com roupas e sapatos, até chegar a um par de botas. Automaticamente enfia a mão dentro de cada uma delas. Surpreso sente algo duro contra os dedos. Puxa a caixa para fora, abre depois de encontrar um jeito apropriado e depara-se com algo nunca visto antes: uma pulseira dourada com oito pingentes, um elefante, uma flor, um livro, uma paleta, um tigre, um dedal, um coração e um anel. Esforça-se para lembrar se alguma vez viu a esposa usando aquela joia. Não, em 40 anos de casados, ele realmente nunca pôs os olhos naquele bracelete. Pensa em falar com os filhos Lucy e Dan, mas lembra-se que eles estão sempre tão ocupados.

A peça parece antiga, exceto por um dos pingentes, em forma de coração, que destoa um pouco dos outros. O mais bonito é o elefante, decorado por uma pedra que lembra uma esmeralda. Arthur pega um monóculo na sua caixa de ferramentas e percebe que há algo escrito nas costas do animal. Um número, que começa com 0091, o código telefônico da Índia, como aprendeu na noite anterior em um programa de adivinhações na televisão. Será que deve testar se ainda está ativo? Uma ligação para a Índia deve ser caríssima, pensa ele.

Tomado pela curiosidade, Arthur disca o número, sem saber, ainda, que está prestes a entrar em uma aventura, repleta de histórias sobre a vida de Miriam antes de se encontrarem e de se casarem. Será que agora, prestes a completar 70 anos, está preparado para tudo isso? Quer ou deve mesmo investigar o significado de cada um dos pingentes? E se descobrir algo que deveria ficar enterrado no passado? Por que, em 40 nos de casamento, Miriam nunca mencionou nenhuma dessas histórias? Com igual curiosidade, o leitor é conduzido por Phaedra Patrick pelas descobertas de Arthur sobre a esposa, torcendo para que ele encontre todas as respostas.

Autor: Phaedra Patrick
Tradução: Elisa Nazarian
Preço: R$ 44,50
304 pp. | 14×21 cm
ISBN: 978-85-9517-017-9
Assuntosficção – romance/novela
Selo: Fábrica231


Bicicleta amarela

Tô frito – Uma coletânea dos mais saborosos desastres na cozinha
Luciana Fróes E Renata Monti

Todo cozinheiro tem uma boa história para contar. Afinal, a culinária é feita de imprevistos, escorregadas, receitas que desandam e que ganham vida própria. Frutos do acaso ou do descaso, quando vistos com outros olhos se transformam em acertos adoráveis. Do leite esquecido ao relento que virou queijo à luta de Dom Pérignon para controlar as borbulhas que fermentavam na garrafa e acabavam estourando. E o que dizer do confeiteiro de Luís XIV que, ao bater muito além da conta o creme de nata com açúcar, deu origem ao chantilly? Na gastronomia brasileira, não é diferente e, vira e mexe, um erro – ou mais de um – vira um acerto. Antes, porém, o desespero que antecede o sucesso vem na forma de um “Tô frito!”, como Claude Troigros costuma exclamar quando passa por situações como essa, com direitos a infinitos erres de seu sotaque francês.

Tô frito! – Uma coletânea dos mais saborosos desastres na cozinha, lançamento do selo Bicicleta Amarela, reúne histórias tão deliciosas quanto os imprevistos na cozinha. O livro é um apanhado de erros que acontecem nesse fascinante mundo da alquimia de odores e sabores, alguns bem-sucedidos, outros nem tanto, que foram parar nos cardápios dos melhores restaurantes brasileiros. Uma coletânea de histórias contadas em primeira pessoa por 20 chefs de destaque, em depoimentos às jornalistas Luciana Fróes e Renata Monti Barreto, que, sem qualquer pudor e com bastante humor – ressaltado nas ilustrações de Paulo Villela –, dividem as saias-justas que encaram todos os dias.

Houve aquela vez que Claude Troigros, por descuido, deixou o grão de risoto cair na frigideira quente. Resultado: foi criado o arroz pipoca, sucesso no Olympe, no Rio. É também o caso da farofa baiana, de Robert Sudbrack. A farofa escura, de gosto amargo e textura única, foi fruto do ponto a mais em que ficou na panela. Presença de espírito é necessária quando um chef vê o que criou desmoronando à sua frente. No caso de Flávia Quaresma, literalmente, quando presenciou o recheio de sua torta derreter por causa do calor e o doce desmontar em pedaços em um jantar no qual tudo correra bem até então. Não pensou duas vezes: a batizou de Torta Terremoto. De desmontada, passou a desconstruída e foi o sucesso da noite. E se a culpa é do estagiário, o que dirá daquele que trabalhava com Felipe Bronze? Com a missão de reproduzir o sorvete de coco com nitrogênio líquido, criação do chef para o seu restaurante Oro, o jovem aprendiz trocou os ingredientes, fundindo o nitrogênio à maionese de ostras, outra criação de Bronze: estava criado o sorvete de ostras, que virou a entrada padrão de seu restaurante.

Além de desastres que viraram sucesso, o livro reúne contos e causos ligados ao mundo da gastronomia. O veterano José Hugo Celidônio, que além de chef é ótimo contador de histórias, jamais irá esquecer da vez em que, ao servir frango com cogumelos em papillote (com os cogumelos envoltos em papel-manteiga) viu o casal que pedira o prato devorar tudo! e se deliciar com o papel… Já o empresário do ramo de gastronomia e hotelaria Rogério Fasano quase fora preso ao “contrabandear” uma espécie de minialcachofras que trouxera de Veneza, tudo na vontade de inovar e apresentar novos produtos e sabores aos brasileiros. O que se percebe na leitura de Tô frito! é que, mais que obras do acaso, o sucesso está principalmente na habilidade de seus criadores em lidar com ele e transformar um desastre em uma grande e inesquecível delícia.

Autor: Luciana Fróes E Renata Monti
Ilustração: Paulo Villela
Preço: R$ 34,50
224 pp. | 13,7×20,7 cm
ISBN: 978-85-68696-54-5
Assuntoscrônica, culinária/gastronomia/enologia
Selo: Bicicleta Amarela


Anfiteatro

A cidade solitária
Olivia Laing

É possível ser solitário em qualquer lugar, mas há um sabor particular na solidão quando se mora em uma grande cidade. A princípio esse estado pode parecer incompatível com a vida urbana e a presença em massa de seres humanos, mas a mera proximidade física não é suficiente para dissipar a sensação de isolamento interno. Em A cidade solitária, Olivia Laing dá continuidade ao trabalho iniciado no celebrado Viagem ao redor da garrafa e volta a articular vida e arte para, combinando reportagem, literatura, biografia e relato pessoal, analisar a solidão a partir de obras de artistas que, em meio ao dia a dia intenso de uma metrópole, lidaram direta ou indiretamente com esse sentimento ou foram perturbados por ele – com destaque para Edward Hopper, Andy Warhol, David Wojnarowicz e Henry Darger.

Aos 30 e poucos anos, a britânica Laing se viu sozinha em Nova York após uma desilusão amorosa. A partir da ausência, se viu abraçando a própria cidade – a miscelânea de mercearias, os rangidos do trânsito, as lagostas vivas na esquina na Nona Avenida, o vapor subindo pelas ruas. Na maior parte dos dias, fazia as mesmas coisas: sair para comprar ovos e café, caminhar sem rumo pelas ruas, sentar no sofá enquanto o vizinho de cima ouvia jazz a todo volume. Aos poucos, foi começando a perceber que sua aparência era como a de uma mulher pintada por Edward Hopper.

Hopper, que vivia uma relação conturbada e violenta com a esposa, nunca gostou muito da ideia de que a solidão fosse vista como seu tema central. Por outro lado, continuava povoando suas cenas urbanas com personagens sozinhos ou em grupos incômodos, de dois ou três, presos em poses que parecem indicar aflição: o isolamento é compatível com um sentimento de exposição quase insuportável. Já a fascinação da autora por Andy Warhol teve início ao assistir a entrevistas do artista. Ainda que estivesse sempre acompanhado de uma trupe, ele parecia constantemente lutar contra a necessidade de falar. É comum que se pense em Warhol como alguém protegido sob a carapaça lustrosa de sua celebridade, mas um olhar atento à sua obra torna visível o self real, vulnerável, humano e intrinsicamente solitário.

Depois, Laing se debruça sobre uma série de fotografias feitas por David Wojnarowicz. Nela, um homem, sob uma máscara do poeta Arthur Rimbaud, mesmo se movendo por entre as multidões nova-iorquinas e seu então decadente cenário de crime, drogas e Aids, está sempre alheio às pessoas que o cercam. Mais tarde, o próprio Wojnarowicz diria que aquelas fotos teriam nascido a partir de situações “desesperadas” e representavam “um vago esboço biográfico do que meu passado havia sido”. Por fim, a autora chega ao prédio em Chicago onde Henry Darger trabalhou como zelador enquanto, antes de alcançar postumamente a fama de um dos mais celebrados artistas outsiders do mundo, produziu obras de um esplendor quase sobrenatural: aquarelas desconcertantes que combinavam elementos encantadores, de contos de fadas, a imagens perturbadoras de meninas pequenas com pênis e cenas coloridas de tortura em massa.

O que significa estar solitário? Como vivemos quando não estamos intimamente envolvidos com outro ser humano? De que forma nos conectamos com outros indivíduos? A tecnologia é capaz de nos aproximar ou simplesmente nos aprisiona atrás de telas? Habitada ainda por outros personagens, de Virginia Woolf a Alfred Hitchcock e Greta Garbo, A cidade solitária traz um texto provocativo, comovente e extremamente humano sobre os espaços entre as pessoas – que, inerentes ao ato de estar vivo, podem ser ocupados pelas estranhas e fascinantes possibilidades da arte. O livro foi considerado um dos melhores do ano por veículos como The Guardian, Observer, Telegraph, Times Literary Supplement, Elle e Slate.

Autor: Olivia Laing
Tradução: Bruno Casotti
Preço: R$ 49,50
304 pp. | 14×21 cm
ISBN: 978-85-69474-30-2
Assuntosensaio
Selo: Anfiteatro


Fantástica Rocco

Enraizados
Naomi Novik

Autora da aclamada série Temeraire, bestseller do The New York Times, Naomi Novik introduz um mundo novo e ousado, com raízes fincadas no folclore eslavo, em Enraizados, indicado ao Hugo e vencedor do Nebula, entre outros prêmios literários. Na trama, Agnieszka e Kasia são melhores amigas e levam uma vida tranquila no vale. Mas essa tranquilidade cobra seu preço. Afinal, às margens do vilarejo onde moram fica a temida Floresta corrompida, cheia de um poder maligno desconhecido, e para impedir que ele avance para além das fronteiras da Floresta, o povo do vale conta somente com a proteção de um mago frio e ambicioso, que a cada dez anos exige que uma jovem do vilarejo seja entregue para servi-lo. Enquanto a próxima escolha se aproxima, Agnieska teme por sua bela, graciosa e corajosa amiga. Mas pode ser que ela esteja errada.  Porque, quando o Dragão chegar, não é Kasia que ele vai escolher.

Autor: Naomi Novik
Tradução: Cláudia Mello Belhassof
Preço: R$ 54,50
384 pp. | 15,7×22,7 cm
ISBN: 978-85-68263-51-8
Assuntosficção – romance/novela, fantasia
Selo: Fantástica Rocco


Rocco jovens leitores

Lembra aquela vez
Adam Silvera

Aqui hoje, esquecido amanhã! E se pudéssemos deixar para trás toda a dor que sentimos e focar na felicidade? Bem-vindos ao Leteo, instituto que por meio dos mais avançados procedimentos científicos apaga memórias indesejáveis, oferecendo aos seus pacientes uma segunda chance, um recomeço. Público-alvo: pessoas que perderam entes queridos, vítimas de violência, corações partidos e por aí vai. Afinal, quem nunca quis esquecer pelo menos algum episódio de sua história? Entre os potenciais clientes do Leteo está o jovem Aaron Soto, protagonista de Lembra aquela vez, livro do norte-americano Adam Silvera celebrado por veículos como The New York Times (“lindo romance de estreia”) e Chicago Tribune (“comovente”) e finalista do Prêmio LAMBDA, na categoria romance juvenil/jovem adulto LGBT.

Aaron é um garoto de 16 anos do Bronx, em Nova York, levando uma vida como tantos outros jovens. É louco por action figures e histórias em quadrinhos (desenha sua própria revista!), divide um apartamento de um quarto com seu irmão e a mãe que se desdobra para pagar as contas da casa, trabalha na loja de conveniências do bairro, gosta de passar o tempo com a namorada, Genevieve, e a turma do conjunto habitacional onde vive. Mas sua história é marcada por uma tragédia: o recente suicídio de seu pai, dor registrada na cicatriz que carrega no pulso.

Apesar de todas as dificuldades, Aaron está determinado a seguir em frente e aos poucos, com a ajuda da mãe e de Genevieve, lembra como é ser mais feliz do que triste. Quando sua namorada viaja para um acampamento de artes, Aaron se aproxima de Thomas, um garoto de outro bloco, e nele encontra muito mais do que o meio que melhor amigo Brendan e o resto da galera que tantas vezes o deixa na mão. Descobre sua nova pessoa preferida: compartilham do gosto por quadrinhos a dúvidas em relação ao presente, o futuro e seus lugares em um universo que ferrou com suas vidas. Mais: Aaron descobre que talvez sinta algo mais por Thomas, ou seja um “gostador-de-caras”, como prefere dizer quando ainda está tentando entender seus novos sentimentos. Diante de toda a confusão e rejeição que passam a fazer parte de sua vida, Aaron considera recorrer ao procedimento de alívio de memória do Leteo para esquecer não apenas as lembranças ruins que o perseguem, mas principalmente quem ele é.

Lembra aquela vez é um sensível romance que, com doses equilibradas de bom humor e seriedade, fala sobre o despertar sexual e temas ainda urgentes nos dias de hoje, como bullying e homofobia. É um livro sobre medo, incerteza, ciência versus natureza e, principalmente, sobre amizade, amor, aceitação e a procura pela felicidade. “Espero que todo livro que eu lance neste universo seja tão especial quanto esse é para mim,” diz o autor. Leitura obrigatória.

Autor: Adam Silvera
Tradução: Lucas Peterson
Preço: R$ 39,50
336 pp. | 13,7x 20,7 cm
ISBN: 978-85-7980-280-5
Assuntosficção – romance/novela
Selo: Rocco Jovens Leitores


Garotos de lugar nenhum
Elise Mccredie

Já imaginou retornar para casa depois de uma excursão da escola e descobrir que ninguém se lembra de você? Que sua existência simplesmente foi apagada, como se você nunca tivesse nascido? Numa tranquila cidade australiana, os alunos do ensino médio participam do que prometia ser uma rotineira excursão escolar ao Parque Nacional da Cadeia Montanhosa de Bremin. Um deles é Felix, um adolescente gótico que se sente desprezado pelos pais e se culpa por um horrível acidente ocorrido anos antes.

Versão em romance da primeira temporada do famoso seriado de TV australiano Nowhere boys, criado para o público adolescente por Tony Ayres, Garotos de lugar nenhum é o primeiro livro da atriz, roteirista e diretora Elise McCredie, também responsável por escrever três episódios da série e de atuar em um deles como a assistente social Janet.

Na trama, quando o professor divide a turma em grupos menores, Felix acaba se juntando a três colegas para cumprir a tarefa de catalogar a fauna e a flora a serem encontradas na floresta. Seu grupo, no entanto, não poderia ser mais desunido. Ele é formado pelo nerd Andy, superprotegido pelos pais e ansioso por um pouco de independência; pelo skatista Sam, garoto egoísta com sua namorada e família perfeitas; e pelo atleta valentão Jake, que usa a superioridade física para intimidar e humilhar os outros.

Claro que o grupo se desentende e termina perdido na floresta, onde passa a noite em meio a uma tempestade assustadora. Horas mais tarde, ao finalmente retornarem para a cidade, os quatro adolescentes não são reconhecidos pelas próprias famílias, pelos amigos, por ninguém! Para o mundo, Felix, Andy, Sam e Jake nunca existiram.

Perdidos nessa nova realidade, os garotos precisam descobrir o que aconteceu com eles, lidar com as mudanças que sua inexistência provocou na vida de todos e, pior, tentar sobreviver à terrível ameaça de uma criatura sobrenatural. Uma aventura emocionante sobre diferenças, amadurecimento e a eterna busca por seu lugar no mundo.

Autor: Elise Mccredie
Tradução: Carolina Mesquita
Preço: R$ 39,50
296 pp. | 13,7×20,7 cm
ISBN: 978-85-7980-362-8
Assuntosfantasia, ficção científica/distopia
Selo: Rocco Jovens Leitores


Archie Greene e o segredo dos magos
D. D. Everest

Em seu aniversário de 12 anos, Archie Greene recebe um pacote misterioso contendo um velho livro com cheiro de queimado, capa de couro escuro manchada pelo tempo e um fecho de prata em que há um estranho símbolo. Um objeto aparentemente inofensivo que envolverá uma desafiante charada e uma viagem até Oxford, onde o garoto acaba se envolvendo com os Guardiões da Chama, um grupo devotado a encontrar e preservar livros mágicos. E enquanto tenta desvendar o mistério por trás do presente enigmático, descobre que o livro que tem em mãos é muito mais poderoso do que imaginava. Primeiro romance do jornalista britânico D. D. Everest, autor de diversas obras de não ficção, Archie Greene e o segredo dos magos é uma empolgante aventura em que livros também são personagens e inusitados feitiços podem brotar de suas páginas.

Autor: D. D. Everest
Tradução: Rosa Amanda Strausz
Preço: R$ 39,50
272 pp. | 13,7x 20,7 cm
ISBN: 978-85-7980-368-0
Assuntosjuvenil, fantasia, aventura
Selo: Rocco Jovens Leitores


Peixe fora d’água
Lynda Mullaly Hunt

Ao contrário dos colegas da sexta série, Ally não consegue ler nem escrever. Para ela, as letras se misturam, não fazem sentido algum. As tentativas de compreender as palavras lhe rendem dores de cabeça e a certeza de que é a pessoa mais incompetente do universo. Mas esse é um segredo que guarda apenas para si.

Os professores, a diretora, o restante da turma e até mesmo a própria família da menina sequer desconfiam do que está acontecendo. Com esperteza, ela consegue enganá-los, mesmo que pague um preço alto ao ser considerada “burra, maluca e fracassada”, como lhe sussurram as outras crianças. Claro que sua autoestima é baixa, impedindo-a de se aceitar como a talentosa artista que é.

Muito elogiado por educadores e pela crítica, Peixe fora d’água, de Lynda Mullaly Hunt, é bestseller do The New York Times e vencedor do Schneider Family Book Award 2016, entre outros prêmios e indicações. Nessa história tocante, feita de pedacinhos do cotidiano escolar, o leitor compreende a realidade pelos olhos de uma criança com dificuldades de aprendizado. Não há como não se emocionar com Ally e sua maneira nada convencional de explicar os fatos e, principalmente, o comportamento das pessoas.

A farsa em que a menina transformou sua vida, no entanto, está com os dias contados. Quando um novo professor assume as aulas de sua turma, a rotina que ela e os colegas dominam vira de ponta à cabeça. Afinal, o que ele quer dizer exatamente ao afirmar que pessoas que pensam fora da caixa mudam o mundo?

Autor: Lynda Mullaly Hunt
Tradução: Luisa Geisler
Preço: R$ 39,50
262 pp. | 13,7×20,7 cm
ISBN: 978-85-7980-363-5
Assuntosficção – romance/novela
Selo: Rocco Jovens Leitores


Elefante pergunta: Qual destes livro seria ideal para ler numa tarde de inverno?

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