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O Conto da Aia, Margaret Atwood | Resenha

Esse é o segundo livro que lemos da autora Margaret Atwood. O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale) tornou-se um seriado nesse ano e por isso, a Editora Rocco relançou o livro que faz referência a mesma.

Não tivemos curiosidade de assistir ao seriado ainda, mas depois dessa leitura instigante, queremos saber como ficou essa adaptação.

Resenha O Conto da Aia:

Vamos parar em uma sociedade reformulada em pleno século XXI. O mundo foi devastado e devido a infertilidade de várias pessoas, não há nascimento de crianças. Para repovoar a comunidade, mulheres férteis são exiladas e sua única função é procriar.

(Sim, voltamos alguns séculos na história da humanidade.)

Esse caos todo é devido ao alto índice de infertilidade pós uma catástrofe nuclear.

Nessa nova sociedade chamada de Gilead há uma hierarquia diferente. Para comandar esse monte de mulheres, nada mais “cabível” do que serem outras mulheres. No caso, são mulheres casadas inférteis e com posses. Elas são casadas com homens férteis que serão os “semeadores” das aias.

Para narrar tudo isso, temos a protagonista Offred — que significa “of Fred” (“de Fred”) ou “pertencente ao homem chamado Fred”. Ela é uma aia, ou seja, com a função de procriar com algum homem casado do alto escalão do exército, amamentar e entregar a criança gerada para o casal que a escravizou.

Em meio a toda essa metologia e hierarquia, ela narra seu dia a dia e faz comparativos com lembranças do passado.

Por se tratar de uma distopia e mexer bastante com uma sociedade irreal, o fim do livro deixa pontas soltas para a imaginação. Ficamos apreensivos e curiosos para saber o que aconteceu com Offred. E mesmo com o documento final descrito no livro, a nossa imaginação vai além, pois não tem uma conclusão direta.

(Poderia estender o assunto, mas seria um spoiler grande).

“Somos úteros de duas pernas, apenas isso: receptáculos sagrados, cálices ambulantes.”

Cheio de críticas sociais, O Conto da Aia torna-se uma leitura pertinente e reflexiva. Mesmo sendo uma ficção absurda, conseguimos fazer comparativos com a nossa sociedade atual. Várias críticas são ditas e ficamos imaginando que o caos atual poderia sim virar a república de Gilead. Tantas pessoas alienadas e que só pensam no bem estar próprio.

É um livro bem sombrio e por ser narrado em primeira pessoa, ficamos temerosos com o que irá acontecer. A protagonista tenta ficar sã e se agarra na esperança de saber sobre a filha e o marido. Se não fosse por isso, ela já teria desistido e surtado, pelo que dá a entender.

O suspense toma conta da narrativa e os absurdos narrados são tantos que dá raiva de ler. Ao mesmo tempo, queremos continuar para saber o desfecho de Offred.

“Você não pode controlar o que sente, disse Moira certa ocasião, mas pode controlar como se comporta.”

Como dito inicialmente, O Conto da Aia tem seriado e possui uma nota alta no IMDb. O sucesso foi tão grande que em 2018 já temos a promessa para a segunda temporada. Como ainda não vimos a série, não podemos comparar como ficou a sua adaptação.


Sinopse: 

Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.


Elefante pergunta: Você conhecia o livro O Conto da Aia ou já assistiu o seriado? Conta pra gente nos comentários 🙂 

Fundadora do Elefante Voador, social media, editora-chefe e redatora do blog. Mora em São Paulo, tem 30 anos e coleciona meias e meias-calças. Concilia as tarefas do Elefante com o trabalho formal, maternidade e sua rotina caseira.

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