Singular, Thati Machado | Resenha

Se você acompanha o Elefante Voador a pelo menos um ano, deve ter visto a resenha que fizemos do livro Poder Extra G, da autora nacional Thati Machado. No fim daquela resenha, falamos sobre Singular, uma possível continuação de Poder Extra G, sendo Noah como protagonista.

A autora nos cedeu um exemplar através do Kindle e a seguir, as impressões sobre a leitura.

singular
Capa Singular. Divulgação.

Resenha Singular:

Em Singular conhecemos a história de Noah, um homem trans que desde cedo pôde começar a ser tratado no gênero que ele é. Porém, nem tudo é tão tranquilo assim. O pai não aceitou a sua condição e devido a muitas brigas, separou-se da família. Esse breve histórico é importante para o desenrolar dos acontecimentos.

Noah é o caçula da família, cursa publicidade em Buenos Aires e leva uma vida relativamente tranquila pelas terras argentinas. Como seu tratamento hormonal começou desde cedo, ele não tem problemas para conseguir se encaixar no “padrão da sociedade”.

No entanto, na parte “amorosa”, nem tudo é como pode se imaginar. Por ser hétero, quando ia fazer algo a mais com as mulheres, sempre tinha que explicar como funcionaria a mecânica e muitas sumiam depois da notícia.

Depois de algumas tentativas frustradas, Marcela (melhor amiga da Nina, a cunhada de Noah) aparece em sua vida e muda sua percepção sobre si mesmo. Ela não está interessada no que ele tem no meio das pernas, ela está interessada na química entre os dois. É uma relação carnal apenas, isso faz Noah ter sua auto estima elevada e o faz mais confiante diante dos próximos relacionamentos.

Por ter uma cunhada e uma amiga brasileiras, eles vêm para o Brasil bem na época do Carnaval e é aí que o enredo começa acrescentar as partes de Poder Extra G.

Na intenção de beijar muitas bocas no Carnaval, Noah vem “preparado”. Mas logo no primeiro dia da viagem se encanta por Rafaella, e os dois não se desgrudam.

Rafaella é ex modelo do mundo fashion-padrão-supermagra. Ex-modelo pois agora ela não se encaixa nessas pequenas medidas. Por ter endometriose, engordou e abandonou essa área, mas mantinha amizade com as amigas modelos. Aliás, essas “amigas” a julgavam por ela ter engordado e isso fazia Rafaella repensar as amizades.

A história caminha para várias descobertas, desde o próprio corpo, aceitação, auto estima, ganância e por aí vai. Se ficar contando tudo, perde a graça da leitura rs.

Saber que eu era transgênero não diminuiu em nada o desejo que ela sentia por mim. Aquilo me deixou incrivelmente feliz e confiante…

Posso adiantar que o rumo do relacionamento de Noah e Rafaella é bem rápido. Mesmo acreditando no amor genuíno, pra mim foi tão rápido quanto “Poder Extra G” e eu esperava uma estrutura diferente, pois os personagens são um pouco mais jovens (entre 19 e 24 anos).

Mas isso não prejudicou o andamento da história. Thati Machado tem um jeito envolvente na escrita, além de gírias e vocabulário próprios. Tem partes que se você estiver sensível, podem te fazer chorar. E dá aquela dor ainda mais se você acompanha notícias de pessoas trans.

E mesmo sabendo que a Thati não é uma pessoa trans, ela convive com uma. Então, não esperem um clichê nesse quesito.

A transição de Noah foi tranquila, já que ele teve um apoio incondicional da família. Mas outras histórias (tristes) vão cruzando a narrativa, e, infelizmente, temos esse tipo de acontecimento bem pior na vida real. 🙁

O que é narrado não é nem metade do que acontece nos noticiários. Como boa parte da história é em Buenos Aires, não corresponde às tantas tragédias com as pessoas trans brasileiras.

Agora, a parte romântica é bem clichê, como exemplo é que tudo dá certo sempre. Isso me incomodou um pouco, pois mesmo com as reviravoltas, eu sabia que iria dar certo, ainda mais no campo amoroso da história. Fica a critério de quem está lendo, ver se identifica com essa parte.

Dá para sentir que a autora estava apaixonada pelo que escrevia, pois as partes românticas são dignas de quem as viveu.

As histórias de Poder Extra G e Singular se misturam. Deu aquela nostalgia relembrar os dramas (mexicanos) da Nina sob o ponto de vista de outra pessoa.

Marcela que aparece nos dois livros, aparentemente terá sua história também. Fiquei muito curiosa se terá um enredo diferente na parte romântica, apesar de haver sinais de que ela está namorando/noiva no fim de Singular.

Ela está com alguém no momento (e, repito, da minha parte, isso é tudo que saberão, o resto fica por conta de Marcela).


Elefante pergunta: Já leram uma história “Singular”?

De 1988. É formada em moda, nunca atuou na área e trabalha no setor administrativo de uma empresa de engenharia. Tem um blog pessoal; e é da equipe de produção e edição do site Elefante Voador.

Você também poderá gostar de:

Comente via FB ♥