Enraizados, Naomi Novik | Resenha

A resenha que trazemos hoje é do premiado Enraizados, de Naomi Novik, que foi publicado pela Editora Rocco em julho deste ano. O livro foi indicado ao Hugo Award em 2016 e foi vencedor do Nebula Award de 2015. Conheça um pouco mais sobre a obra:

Autora da aclamada série Temeraire, bestseller do The New York Times, Naomi Novik apresenta um mundo novo e ousado, com raízes fincadas no folclore eslavo, em Enraizados, indicado ao Hugo e vencedor do Nebula, entre outros prêmios literários. Na aclamada trama, a protagonista é Agnieszka, jovem que ama seu lar no vale, sua vila tranquila, as florestas e o rio cintilante. Mas a Floresta corrompida fica à espreita na fronteira, cheia de um poder maligno desconhecido.
Para impedir que o mal avance para além das fronteiras da Floresta, o povo do vale conta somente com a proteção de um mago frio e ambicioso, que a cada dez anos exige que uma jovem do vilarejo seja entregue para servi-lo. Enquanto a próxima escolha se aproxima, Agnieszka teme por sua bela, graciosa e corajosa amiga Kasia. Mas pode ser que ela esteja errada. Porque, quando o Dragão chegar, não é Kasia que ele vai escolher.
Na torre do Dragão, Agnieszka é apresentada a uma nova vida, repleta de magia e intrigas. Sob a tutela do feiticeiro, a jovem começa a aprender o que é a Floresta e o seu verdadeiro papel na batalha que virá. Em pouco tempo, Agnieszka percebe que existe a chance não só de eliminar a floresta, mas também de salvar os corrompidos.
Enraizados é uma história emocionante, cheia de surpresas e aventura. Inspirada pelo folclore polonês e pela lenda de Baba Yaga, Novik apresenta aos seus leitores um sucesso digno de seu enorme talento. Enraizados é uma obra perfeita para quem gosta de fantasia e contos de fadas, com tintas de terror e o melhor da tradição eslava.

Autor: Naomi Novik
Tradução: Cláudia Mello Belhassof
Preço: R$ 54,50
384 pp. | 15,7×22,7 cm
ISBN: 978-85-68263-51-8
Assuntosficção – romance/novela, fantasia
Selo: Fantástica Rocco


Resenha

Em Enraizados conhecemos Agnieskza. Ela mora no vale,  uma vila tranquila mas que faz fronteira com uma floresta maligna. Os moradores dessa vila dependem de um mago conhecido como Dragão para protegê-los da Floresta. Com seus poderes, ele consegue conter ira da floresta corrompida impedindo que ela avance sobre a vila, e sobre o reino do qual ela pertence.

Mas o Dragão exige algo em troca. A cada dez anos ele escolhe uma jovem para servi-lo, e ninguém sabe ao certo o que ele faz com elas durante esse período, o que faz com que as garotas temam esse destino.

Nosso dragão não come as meninas que captura, não importam as histórias que contem fora do vale. Nós às vezes ouvimos por conta dos viajantes que passam por aqui. Eles falam como se estivéssemos sacrificando um ser humano e ele fosse um dragão de verdade. Claro que não é assim (…) Ele nos protege contra a Floresta, e somos gratos; mas não tanto assim.

Acontece que dez anos depois, quando ele liberta a jovem escolhida, ela já não é mais a mesma. Isso intriga os moradores do vale. Porque além de estarem diferentes, mais elegantes, ao invés de estarem ansiosas para retornar ao lar, elas simplesmente não querem mais continuar ali.

A narrativa começa quando Agnieskza tem idade suficiente para participar da próxima escolha. Apesar de sentir um pouco de receio, ela tem certeza absoluta de que o Dragão jamais a escolheria. Afinal ela não é a garota mais bonita do vale, na verdade ela é bem desengonçada. Em compensação, sua melhor amiga Kasia tem todos os requisitos para ser a escolhida: ela era bonita, inteligente e simpática.

— (…) E eu não escolho meninas choronas que só querem se casar com um homem da vila nem meninas que se encolhem de medo de mim…

Agnieskza sofre só de pensar em ficar separada da amiga por dez anos. Ainda mais sem saber ao certo o que aconteceria com Kasia enquanto ela estivesse servindo o Dragão. Será que ela também voltaria mudada? Também iria embora do vale?

— Para minha infelicidade, e aí que você está errada.

Além desse mistério acerca do Dragão e de sua exigência, também há o grande mistério envolvendo a Floresta. Por que ela é corrompida? Por que ela deixa as pessoas fora de si? Ela sempre foi assim? Como o Dragão consegue mantê-la afastada? É com todas essas perguntas em mente que prosseguimos a narrativa.

Havia também uma canção nessa floresta, mas era uma canção selvagem, um sussurro de loucura e choro e raiva.

Confesso que no início eu estava achando a narrativa um pouco pesada, tive muita dificuldade para me prender na história. Até a metade da história as coisas demoram muito para acontecer, poucas coisas são reveladas e temos aquela sensação de que estamos lendo, lendo, lendo sem sair do lugar.

Foi da metade para o final que me dei conta de quanto esta história é linda e o quanto ela é complexa e bem estruturada. Fiquei com vontade de ler o livro novamente só para poder contemplá-lo como um todo. Já sabendo de tudo.

Seu nome tinha gosto de fogo e asas, de fumaça em espiral, de sutileza e força, e do sussurro áspero das escamas.

Naomi construiu uma história muito bem amarrada, mas só conseguimos perceber no fim. Os personagens são muito bem trabalhados ao longo da narrativa e as descrições de cenários, e ações são bem intensas. Apesar da capa bonitinha, não se engane: há cenas bem fortes no livro.

Todas essas histórias devem ter acabado desse mesmo jeito, com alguém cansado saindo de um campo cheio de morte e indo para casa, mas ninguém jamais cantava essa parte.

O final é belíssimo de um jeito inesperado. Me surpreendeu muito. Eu não conhecia a narrativa de Naomi Novik mas através de Enraizados, pude perceber ela é uma escritora incrível. Fica a dica de um livro indispensável para quem gosta de fantasia.

— Isso é magia suficiente para me colocar na lista? Ou vocês querem ver mais?


Elefante pergunta: Qual foi o livro de fantasia que mais te surpreendeu até agora?

Cintia, 30 anos, é uma das criadoras do Elefante Voador, responsável pela seleção e redação de conteúdo do site, além da cobertura fotográfica dos eventos. Mora em Poços de Caldas/MG), formada em Design Gráfico e atua como diagramadora de livros. Aspirante a escritora, sonhadora, apaixonada por livros, gatos, música pop, pizza e chocolate. Twitter: @superci / Instagram: @cisuperci

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  • Alison de Jesus

    Olá, é inegável que a obra apresenta algo original e bem construído. A autora deve ter feito várias pesquisas sobre o folclore polonês para fundi-lo à narrativa, que apesar de densa, conquista o leitor aos poucos. Beijos.