O Coletor de Espíritos, Raphael Draccon | Resenha

Hoje a resenha é super especial pois é de um autor nacional muito querido: O coletor de espíritos, de Raphael Draccon, é um romance lançado pela Editora Rocco em setembro deste ano. Conheça um pouco mais sobre a obra:

Quando a chuva aflige o vilarejo de Véu-Vale pelo terceiro dia consecutivo, as ruas iluminadas por tochas ficam desertas; as janelas, uma a uma, se fecham; nesses dias, quem caminha pelas ruas de Véu-Vale caminha sozinho. Em O coletor de espíritos, novo romance de Raphael Draccon, um dos principais nomes da literatura de fantasia nacional, Gualter Handam, antigo morador do vilarejo e hoje um psicólogo prestigiado, se vê obrigado a retornar ao local que povoa seus pesadelos. Depois de tantos anos, ele terá de encarar antigos fantasmas e enfrentar uma força desconhecida e furiosa, numa jornada de sacrifício e redenção que poderá finalmente libertar todo um povo das garras do medo.

Autor: Raphael Draccon
Preço: R$ 34,90
272 pp. | 15,7×22,7 cm
ISBN: 978-85-68263-52-5
Assuntosficção – romance/novela, ficção nacional, fantasia
Selo: Fantástica Rocco


Resenha

Frio. Sussurros. Silêncio. Em Véu-Vale sempre foi assim.

Esta é a primeira vez que eu leio uma obra do Draccon, apesar de ter a série completa dos Dragões de Éter, ainda não consegui chegar até ela na minha fila interminável de leitura rs

O Coletor de Espíritos se passa num vilarejo misterioso chamado Véu-Vale. Nesse vilarejo sombrio, esquecido no tempo, é cercado de lendas e histórias assustadoras que batem a porta de seus moradores. Especialmente em dias de chuva.

Na verdade, o que aqueles moradores temiam não era o fenômeno, nem seus parentes naturais. Não era o odor atmosférico.
Nunca a chuva.
Mas aquilo que vinha com ela.

A narrativa acompanha a história de Gualter Handam, que fugiu de Véu-Vale quando era mais novo e se tornou um psicólogo renomado e com uma vida consideravelmente boa. Acontece que ele tem pesadelos que parecem o chamar para seu local de origem, como se houvesse algo a ser resolvido lá.

O Véu daquele vilarejo estava prestes a ser rasgado.

Após escapar da morte durante um acidente de carro, e após receber a notícia de que sua mãe sofrera um infarto, ele resolve voltar a Véu-Vale. Por mais que ele tente manter uma postura cética, é bem difícil levando em consideração as vozes, os gritos e o gosto de sangue que ele sente no terceiro dia de chuva.

Ao contrário do que Gualter pensa, seu destino nunca foi sair de Véu-Vale e ainda há muito a se fazer para livrar a população do vilarejo desse tormento contínuo.

— E o que os monstros fazem nos dias de chuva? Aparecem e perseguem os andarilhos?
— Também, mas essa não é a parte mais assustadora.
— E qual é a parte mais assustadora?
— Quando eles gritam.

A história é bem diferente do que eu imaginava, mas de uma forma boa! Não é parecido com nada que eu tenha lido até hoje e fiquei fascinada com o desenrolar dos acontecimentos.

Draccon tem uma narrativa bastante objetiva, então é uma leitura rápida e fluída. Passamos boa parte da leitura sem saber se o que acontece é real ou se é fruto da imaginação dos moradores. É desesperador.

Observou o próprio reflexo em um espelho próximo. Curiosamente enxergou apenas…
um homem que sente gosto de sangue em dias de chuva.

Quando os mistérios começam a ser desvendados e quando começamos a entender o que realmente acontece em Véu-Vale, principalmente a participação do protagonista em tudo isso, ficamos ainda mais envolvidos com a história. Gostei muito!

Uma coisa que me chamou muito a atenção, é a abordagem sobre lendas e folclore indígenas que o autor trabalhou durante a narrativa, de forma bastante interessante e intrigante.

— Estamos pisando em um santuário? — perguntou sem jeito, sentindo-se mal por incomodá-lo.
— Estamos pisando em um cemitério.

O projeto gráfico e a diagramação do livro estão lindos. Para as aberturas de partes e capítulos foi usada tema de chuva, tão citado durante todo o livro ❤

Fiquei com vontade de conhecer outras obras do Raphael Draccon, que é um dos grandes talentos da nossa literatura fantástica!


Elefante pergunta: Qual sua obra preferida de Raphael Draccon?

Cintia, 30 anos, é uma das criadoras do Elefante Voador, responsável pela seleção e redação de conteúdo do site, além da cobertura fotográfica dos eventos. Mora em Poços de Caldas/MG), formada em Design Gráfico e atua como diagramadora de livros. Aspirante a escritora, sonhadora, apaixonada por livros, gatos, música pop, pizza e chocolate. Twitter: @superci / Instagram: @cisuperci

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