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Tartarugas até lá embaixo, John Green | Resenha

“O senhor não está entendendo. São tartarugas até lá embaixo.”

A resenha que trazemos hoje é Tartarugas até lá embaixo, do John Green. O livro foi publicado pela Editora Intrínseca em outubro do ano passado, quase 6 anos após o lançamento de A Culpa é das Estrelas. Conheça um pouco mais sobre a obra:

A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto tenta lidar com o próprio transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, distúrbio mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses

Capa comum: 256 páginas
Editora: Intrínseca;
Edição: 1ª (12 de outubro de 2017)
Idioma: Português
ISBN-10: 8551002007
ISBN-13: 978-8551002001
Dimensões do produto: 20,6 x 13,6 x 1,6 cm
Peso de envio: 299 g


Resenha

Em Tartarugas Até Lá Embaixo conhecemos Aza. A garota tenta desvendar ao lado de sua melhor amiga o desaparecimento do bilionário Russel Picket para garantir uma recompensa de 100 mil dólares. Como Aza conhecia o Davis Picket (o filho do bilionário desaparecido) de um acampamento, as duas tentam se aproveitar disso para descobrir qualquer pista.

Enquanto as garotas tentam resolver o mistério, Aza precisa lidar com seu próprio pesadelo: o transtorno obsessivo-compulsivjo (TOC). Ela apresenta uma dificuldade enorme em controlar os próprios pensamentos e se questiona o tempo todo se ela realmente é autora de suas próprias ações ou se ela é uma mera marionete em sua própria vida.

A gente acha que é o pintor, mas é a tela.

Aza tem certeza absoluta que está o tempo todo exposta a uma bactéria mortal e está sempre em uma briga consigo mesma tentando acreditar que está tudo bem/Mas não está… Que ela não contraiu a bactéria/mas vai que contraiu? Que ela não tem com o que se preocupar/Será mesmo? É como uma espiral de pensamentos sem fim, que vai se afunilando e estreitando cada vez mais deixando-a  em constante estado de desespero e ansiedade.

A questão da espiral é que, se a seguimos, ela nunca termina. Só vai afunilando, infinitamente.

Na minha opinião, o grande ponto do livro é justamente estar ciente do que acontece na cabeça de Aza e o quando isso afeta suas relações com as pessoas e até mesmo sua própria saúde. Acho que John Green soube trazer isso para os leitores de uma maneira muito respeitosa e delicada, fazendo inclusive que tenhamos mais empatia por pessoas que tem o TOC.

O verdadeiro terror não é ter medo, é não ter escolha senão senti-lo.

Acho que valeu a pena esperar este tempo todo por um novo lançamento do autor pois a história é bem legal e cheia de frases incríveis ao longo da narrativa. Muitas passagens do livro nos deixam pensativos e reflexivos, creio que seja o efeito John Green presente em todas as suas obras. Ele tem um jeito único de contar histórias e uma sensibilidade incrível!

(…) não é o coração, ou os pulmões, nem o cérebro. A maior e a mais importante parte do corpo é a parte que dói.

Gostei bastante da narrativa, principalmente de como o autor traz o amor e a paciência dos amigos e familiares como alicerce para os piores momentos e que a vida sempre continua!

Eu sentia a tensão no ar e sabia que ele estava tentando descobrir como me deixar feliz de novo. (…) Eu não conseguia me fazer feliz, mas conseguia fazer as pessoas ao meu redor infelizes.

Sem contar um certo romance que se desenrolou durante a narrativa que me deixou até com vontade de me apaixonar de novo!

Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu.

Resumindo. Acho que Tartarugas Até Lá Embaixo é uma das melhores obras de John Green e com certeza vai encantar muitos corações ao redor do mundo. Gostei demais! Achei o final da história bem maduro (surpreendente) e ao mesmo tempo desolador.

— O problema dos finais felizes é que ou não são realmente felizes, ou não são realmente finais, sabe? Na vida real, algumas coisas melhoram e outras pioram.E aí a gente morre.

Nem preciso falar que chorei, né?


Elefante pergunta: Você já leu “Tartarugas Até Lá Embaixo?” O que achou do livro?

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Cintia, 31 anos, é uma das criadoras do Elefante Voador, responsável pela seleção e redação de conteúdo do site, além da cobertura fotográfica dos eventos. Mora em Poços de Caldas/MG), formada em Design Gráfico e atua como diagramadora de livros. Aspirante a escritora, sonhadora, apaixonada por livros, gatos, música pop, pizza e chocolate.

Twitter: @superci / Instagram: @cisuperci

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